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terça-feira, 16 de abril de 2024

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O terreno é fértil?

A imagem do semeador que sai para semear tem inspirado muitas obras artísticas e literárias ao longo da era cristã, como o quadro de Van Gogh e o Sermão da Sexagésima do padre Antônio Vieira, ilustre jesuíta. Trata-se, de fato, de uma das mais conhecidas parábolas de Jesus. Seu real significado, porém, continua a ser discutido, o que mostra sua grande riqueza e profundidade.
Toda parábola usa de imagens para transmitir uma mensagem. No caso da parábola do semeador, são imagens muito vivas: o semeador que sai, a semente que é lançada, os diferentes terrenos e a tríplice colheita. Cada um desses elementos pode ser objeto de nossa meditação, e é bom que confrontemos nossa vida com o que cada um deles significa.
No contexto em que nos reunimos como comunidade para ouvir e celebrar a Palavra de Deus, é conveniente que nos perguntemos sobre a real acolhida que temos dado a essa Palavra em nossa vida cotidiana. Fazendo uso da linguagem empregada por Jesus, podemos questionar: que tipo de terreno tem sido meu coração diante da Palavra que me é anunciada?
A Igreja, assim como o semeador da parábola, não se cansa de lançar suas sementes. Ela sabe que, se não em todos, em alguns terrenos se produzirá muitos frutos. Por isso, sobretudo nas celebrações litúrgicas, a Palavra de Deus continua a ser incessantemente anunciada. Muitas vezes não produz nenhum fruto. Não porque seja infértil, mas por não encontrar terreno apto para que possa brotar, crescer e produzir frutos no tempo da colheita.
É recomendável que, em nossas celebrações, se crie um ambiente que favoreça a escuta e a meditação da Palavra. Muitas vezes, a falta de atenção é tanta que, ao terminar a celebração, não permanecem na memória nem mesmo as leituras proclamadas. Dessa forma, aquela semente tão valiosa vai sendo desperdiçada pelo caminho. É urgente que nossas assembleias litúrgicas deem a devida importância à escuta da Palavra e à sua respectiva prática.
Que sejamos um terreno bom, capaz de produzir frutos com fartura! Às vezes, o terreno precisa receber cuidados para que alcance sua máxima fertilidade. Também conosco se dá a mesma coisa. Olhemos para nosso agir e vejamos aquilo que deve ser retirado ou acrescentado para que a semente da Palavra de Deus produza em nós seus frutos.

 

 

(Por: Manoel Gomes Filho, ssp)

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