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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Artigos

O RPG Jurídico

Direito deveria ser matéria obrigatória nas escolas! Será que é obrigação do estacionamento do shopping arcar com os prejuízos decorrentes de furtos de objetos após um arrombamento? Será que o patrão deve pagar o salário de funcionário que foi colocado em auxílio-doença e o INSS se nega a pagar, alegando ausência de cumprimento de carência, devido ao período de contribuição? Quem já pegou o Código de Defesa do Consumidor, em algum estabelecimento comercial, para analisar e exigir seus direitos? Quem vai realmente entender o que diz a lei?
O juridiquês é o grande obstáculo para a concretização da cidadania e para a garantia da dignidade humana, e devemos refletir sobre os interesses dos poderosos na manutenção da ignorância jurídica do povo.
Por outro lado, advogados sofrem com a dúvida sobre qual é a melhor estratégia para garantir os direitos de seus clientes. Apesar de muito estudo, a resolução de um litígio não depende apenas do conhecimento da lei, mas sim, da percepção geral do conflito, dos seus envolvidos e dos interessados no ganho ou perda da causa.
Assim, dado o desconhecimento jurídico da população e a dificuldade no desenvolvimento de estratégias jurídico-processuais eficazes, muitas vezes aquele que detém o direito fica desassistido. Como mudar esse cenário? O RPG Jurídico apresentou uma solução. Um jogo de tabuleiro que traz histórias envolventes e intrigantes, que será vivida pelos jogadores, como um de seus personagens, na busca de soluções jurídicas.
São duas modalidades: um, para leigos em direito, traz situações do dia a dia, contextualizando a vivência dos personagens pelos jogadores, garantindo a compreensão do conteúdo jurídico de maneira vivencial; o outro é para advogados e outros profissionais que lidam com questões jurídicas, como contadores, engenheiros ambientais e florestais, entre outros.
Na modalidade profissional, a dinâmica do jogo garante o aprendizado teórico e prático da matéria, com ênfase no desenvolvimento de percepção holística do conflito e de estratégias eficazes para o desempenho no caso, incluindo a relevância do trabalho em equipe multidisciplinar e as soft skills, tão apreciadas, atualmente, pelo mercado de trabalho.
A modalidade do jogo para leigos garante uma divertida vivência, por histórias que replicam o cotidiano da população, devendo os jogadores organizar-se estrategicamente para conseguir as cartas, no tabuleiro, que lhes darão o conhecimento para o duelo nos portais.
O mestre do RPG, na modalidade voltada para leigos, não precisa ter formação em direito, necessitando, por sua vez, estudar o material didático que segue a campanha temática adquirida, bem como assistir ao curso que explica como ser um mestre de RPG, que segue a narrativa/campanha adquirida.
Por sua vez, o mestre do RPG profissional deve ter formação em direito, com essencial vivência prática na matéria que será debatida, a fim de exercer com maestria a condução da narrativa e seus desdobramentos.
O objetivo principal da metodologia é o desenvolvimento da capacidade de aprender com autonomia com base em um estímulo, denominada, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de meta-aprendizado.
A relevância do meta-aprendizado se dá, em especial, diante do aumento paulatino de conteúdo a ser apreendido, diariamente, a fim de nos adaptarmos ao mercado e à vida.
O jogo pode ser utilizado não apenas para descontração entre amigos, como também em escolas, faculdades e empresas (treinamentos).

Fernanda Mendes
Advogada, professora e mestre em RPG Jurídico

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