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segunda-feira, 15 de abril de 2024

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O rico que nem tem nome, e o coitado do Lázaro

Jesus conta parábolas até hoje. Quem quiser ouvi-las, ouça. Quem puder entendê-las, entenda. A verdade é que todas elas são plenas de significados e edificantes.

Aqui comentamos a do evangelho de Mateus, no capítulo 16. É sobre um homem muito rico, propositalmente sem nome. Não é ninguém, apesar de todos os seus bens, de seus banquetes frequentes, rodeados de amigos que o admiram, aproveitando a vida, com olhos voltados apenas para si mesmo e suas ostentações.

No entanto, sabe que existem pessoas pobres, machucadas e cheias de feridas provocadas pelos desgovernos, pelas más políticas públicas, pelo hiperindividualismo tão bem denunciado pela Igreja. A elas, apenas as migalhas de seus banquetes de finas iguarias. São cães que vêm lamber suas feridas.

O pobre, da parábola, tem nome: Lázaro. Aqui na terra, um coitado. Abandonado. Desprezado. Caluniado. Esfomeado. O rico, na parábola, não tem nome, “mesmo que o tenha dado a muitas terras” (Salmo 48,12).

Todos morrem, ou seja, viajam para a próxima fase da existência, que nunca termina. Na parábola, este tipo de rico vai para o inferno, onde passa a sofrer tanto, a ponto de desejar uma gota de água, pelo menos, em sua língua que, aqui, tanto se locupletara do bom e do melhor. Enquanto isso, vê o Lázaro, que ele conhecera na sarjeta em frente de sua mansão, agora feliz, cheio de saúde “no seio de Abraão”, isto é, naquela eterna felicidade que Deus promete a todos os seus amados filhos, outrora tão injustiçados aqui na terra.

A imbecilidade desse tipo de rico, mesmo lá no inferno, ainda tenta um último pedido: que alguém vá à terra prevenir seus parentes sobre o seu destino, para que não venham a lhe fazer companhia. Recebe, como resposta, que isso também não adiantaria, uma vez que as pessoas aqui na terra têm a Igreja profetizando sem cessar, em todos os séculos, para que não desperdicem a própria vida, e mesmo assim não se convertem.

E ainda mais: já houve um homem, Jesus, que é Deus, que foi cruelmente flagelado e executado numa cruz, e que depois de três dias no túmulo, voltou à vida, ressuscitou… Ele que veio do além, dos céus, e até hoje vive anunciando e oferecendo a salvação eterna – essa que os lázaros já desfrutam -, e bilhões de pessoas continuam cegas, surdas e mudas, caminhando como zumbis rumo à perdição.

Por: Diácono Lombardi

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