Ir para o conteúdo

segunda-feira, 04 de março de 2024

Artigos

O Ressuscitado no meio de nós

A expressão “ao anoitecer”, para além do sentido evidente do findar de um dia, no contexto do Evangelho do 2º domingo da Páscoa quer significar o fim de um sonho. A comunidade dos discípulos, após a crucificação do Mestre, parecia já não ter forças para seguir adiante. Todas as expectativas e esperanças estavam sufocadas ou mesmo eliminadas. Daí a penumbra da noite que pairava sobre eles e as portas fechadas do lugar em que se encontravam.
As portas fechadas sinalizam um clima de medo e paralisia. Tudo parecia ter terminado. Afinal, a condenação de Jesus à morte de cruz, tramada pelas esferas políticas e religiosas da época, era parte da estratégia de fazer desaparecer, definitivamente, todo e qualquer resquício de Jesus de Nazaré e de sua história. A morte de cruz era uma das formas mais cruéis de apagar, para sempre, a memória do condenado. A violência contra o corpo do condenado tinha o objetivo claro e programado de eliminação total daquele corpo.
Ocorre que todo o ódio empreendido contra o Filho de Deus não foi capaz de eliminar o amor. Ao adentrar o recinto fechado, Jesus ressuscitado é a prova da força do amor. Aquele corpo, outrora ferido e machucado, agora se apresenta glorificado no meio da comunidade. Traz em si as marcas da crucificação, para revelar que o ressuscitado é o crucificado.
As marcas do corpo machucado de Jesus indicam que ele superou um mundo violento sem revidar com mais violência. Por isso, o primeiro dom a oferecer é a paz. Não a pax romana, mas a paz que vem do sopro divino, fonte de coragem e liberdade, porque “a paz sem voz não é paz, é medo”.
Que nossa experiência com Jesus ressuscitado nos anime a semear a paz e a trabalhar pela transformação da realidade com ternura e atitude profética. O Ressuscitado está no meio de nós!

 

(Por: Pe. Antonio Iraildo Alves de Brito,ssp)

Compartilhe: