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terça-feira, 21 de maio de 2024

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O remédio da misericórdia para as feridas do mundo

O domingo da Divina Misericórdia, hoje, continua a nos pôr diante do mistério da ressurreição de Jesus, uma nova luz que atravessa o mundo. De fato, a misericórdia que aprendemos da escola do Evangelho é “pôr o coração” em tudo que fazemos, transformando as realidades de escuridão.

Tudo estava trancado ao redor dos discípulos que, “por medo”, estavam escondidos e lutavam contra o desânimo provocado pela crucificação. O Evangelho deste domingo revela que Jesus ressuscitado é aquele que atravessa a barreira do fechamento. Vencedor da morte, permaneceu no centro da pequena comunidade que tinha chamado e enviado. Seus gestos foram muito particulares: desejou a paz e soprou sobre eles, retomando o gesto criador do Gênesis, convidou Tomé a tocar as feridas dos pregos e da lança, pediu que superassem o medo e fossem comunicadores do amor e da misericórdia no mundo.

Com Tomé, as feridas do mundo ganharam outro significado. Pela sua dúvida e ausência da comunidade, Jesus mostrou-lhe as marcas dos pregos e da lança, o que foi acompanhado de grande profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus”. Jesus ressuscitado é o mesmo Jesus crucificado que carregou a marca das feridas! Elas são sinais de que a crueldade dos agressores não tem a última palavra.

O Evangelho guarda dois episódios que estão totalmente vinculados pela fé em Jesus ressuscitado. Primeiro (v. 19-22), o Ressuscitado apareceu aos onze que, não obstante o anúncio de Maria Madalena, ainda estavam com dificuldade de acreditar. Jesus atravessou as “portas fechadas” (v. 19) para estar “no meio deles”. Embora seja uma nova condição, os primeiros gestos foram desejar a paz (v. 19.21.26) e mostrar as marcas dos pregos e da lança (v. 20). Trata-se do mesmo Ressuscitado-Crucificado. Os discípulos vibraram de alegria (v. 20) por vê-lo e foram confirmados na fé para continuar a missão de comunicar Jesus Cristo ao mundo. Para realizar essa missão, Jesus “soprou sobre eles o Espírito Santo” (v. 22) e conferiu-lhes o poder de portadores da misericórdia e de perdão dos pecados.

A segunda parte (v. 24-29) se passa “oito dias depois” (v. 26). Tomé não tinha estado com os discípulos e tinha dificuldade de acreditar. Jesus novamente apareceu, atravessando as portas fechadas, desejou a paz e convidou Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado” (v. 27). O testemunho da fé de Tomé foi guardado na sua expressão: “Meu Senhor e meu Deus” (v. 28).

O domingo da Misericórdia não pode ser celebrado longe das “feridas do mundo”. A misericórdia é o compromisso de “tocar as feridas”. Estar longe delas pode significar, como para Tomé, estar longe do Ressuscitado. (Vida Pastoral, Paulus, n. 356)

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