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quinta-feira, 18 de abril de 2024

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O reencontro de Maria com Jesus no templo

Lucas nos conta uma cena com Jesus adolescente, aos 12 anos (Lc 2,41-50). Quando alcançava essa idade, o homem era assumido como membro do povo de Israel. Deixava de ser uma criança. Maria e José estão voltando da peregrinação ao templo de Jerusalém, que eles faziam a cada ano.
Depois de um dia de caminhada, percebem que o menino não está no meio do grupo, nem entre os parentes e conhecidos. Voltam então ao templo, e três dias depois encontram Jesus. Ele ouvia, questionava e discutia com os “doutores”, nome dado aos que interpretavam as Sagradas Escrituras judaicas.
A consciência de ser o enviado de Deus brota com impressionante vigor nesse adolescente inquieto. Depois, serão muitos anos de silêncio, em Nazaré, até que Jesus inicie sua missão (Mc 1,15).
O poeta Vinicius de Morais dizia que “a vida é a arte do encontro, embora haja muitos desencontros pela vida”. Na existência humana é assim: por mais que se cultive a sintonia, o entendimento, a reciprocidade, há momentos em que as diferenças aparecem e surgem os conflitos. Também essas ocasiões são oportunidades de crescimento. Maria desempenha bem o papel de educadora. Isso implica colocar limites, advertir, corrigir: “Meu filho, por que você fez isso conosco? Estávamos angustiados, à sua procura!” (Lc 2,48). Jesus responde de forma inesperada, dizendo que Ele deve estar na casa do Pai. E eles não entendem o que Jesus lhes disse. Precisam ainda caminhar na fé, para compreender muitas coisas que Jesus dirá e fará, quando anunciar o Evangelho.
Então, eles voltam para casa. E, como acontecia naquele tempo, Jesus obedecia aos seus pais. Nessa vida simples, junto com seu povo, Jesus vai crescendo “em sabedoria, em estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2,52). Quanto a Maria e a José, eles também evoluíam, aprendendo e ensinando. Possivelmente houve outras crises de crescimento. Simeão havia profetizado: “Uma espada atravessará sua alma” (Lc 2,35). A dor na hora da cruz foi a mais evidente, mas outras também aconteceram.
Que Maria nos ensine a bem educar as novas gerações, a aprender com os acontecimentos, a crescer no amor e na fé, nos encontros e desencontros da vida.

 

 

(Por: Ir. Afonso Murad, FMS – Pastoralista de Mariologia na FAJE)

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