Ir para o conteúdo

sábado, 25 de janeiro de 2014

Artigos

O QUE FAZER COM OS ROLEZINHOS?

Depois dos black-blocs, dos mascarados das manifestações, vieram agora os “rolezinhos”, com seus arrastões em shoppings centers. Os defensores dos direitos humanos já saem em defesa deles, como se fossem vítimas do sistema. O próprio Cardeal de São Paulo, Dom Odilo Scherer, acha que não é preciso criminalizá-los. Explica dizendo que “é um fenômeno muito novo para se avaliar.” e que “parece uma manifestação tipicamente adolescente. Os jovens tentam demarcar sua presença, chamar a atenção sobre si, medir seus limites.” E acrescenta: “Por outro lado, pode revelar certo estresse dos adolescentes, que não têm espaços de lazer. As manifestações incomodam, podem provocar algum desconforto, mas devem ser administradas com sabedoria e tranquilidade.” Mesmo assim, “o fenômeno deve ser olhado como tal. Evidentemente, pode ser manipulado, desviado da sua espontaneidade juvenil. Quando há atos de vandalismo, deve intervir quem tem a atribuição de zelar pela segurança e pelo patrimônio. Mas criminalizar o fenômeno não é a solução.”.
“O que fazer com os rolezinhos?” Esta é a questão do momento. O fato é que a emergência dos “rolezinhos” chama atenção para a crescente debilidade do Estado frente às ações da violência urbana, quando o aparato punitivo agora está cada vez mais vulnerável muitas vezes à retórica do que à eficácia, principalmente quando se trata de garantir a ordem pública e zelar pela preservação do patrimônio público.  E diante dessa vulnerabilidade, há a impressão de que forças políticas podem estar utilizando-se disso para agravar o caos social, e fomentar a ação dos rolezinhos, no intuito de obscuros interesses. Por isso o cardeal diz que o fenômeno pode ser manipulado. Diante disso, é preciso estar atento aos acontecimentos e buscar evidentemente evitar os atos de vandalismo, atos estes insuflados por forças anárquicas que interessam a desestabilização social.
Tudo isso deve nos manter em estado de atenção, buscando os meios eficazes de conter estas ações. O que não podemos é permitir que estas manifestações aparentemente espontâneas tornem o estado refém, impedindo assim o cumprimento de sua finalidade social, que visa, entre outros compromissos, o da segurança pública.
 
Valmor Bolan é Doutor em Sociologia e Especialista em Gestão Universitária pelo IGLU (Instituto de Gestão e Liderança Interamericano) da OUI (Organização Universitária Interamericana) com sede em Montreal, Canadá.

Compartilhe: