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sábado, 15 de junho de 2024

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“O que estais procurando?”

O início do Evangelho de João (“Prólogo”) – além da teologia do Logos que se fez carne (Jo 1,14) – apresenta, em sua continuação, a tradição de João Batista que, nos evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) é o personagem que apresenta Jesus, preparando os caminhos para que o Senhor possa passar. É o precursor do Messias, aquele que vem antes, apontando quem é o Filho de Deus. É o Batista, pois batiza as pessoas de seu tempo, admoestando-as à metanóia, que em grego significa “arrependimento”.
No Evangelho de João, o Batista é um mestre que ensina seus discípulos. Ao ver Jesus passar, o profeta afirma: “Eis o Cordeiro de Deus”. Tal afirmação quer dizer que Jesus é, de um lado, para a comunidade joanina, símbolo da paz e, de outro, na esteira do judaísmo, símbolo da passagem, remetendo ao sangue do cordeiro, no contexto pascal do livro do Êxodo. A imagem do cordeiro também aparece, na tradição joanina, no livro do Apocalipse (Ap 5,6). Nele, o Cordeiro está de pé no meio do trono, com aparência de morto, recebe o louvor dos seres vivos, que aparecem juntamente com os 24 anciãos que se prostram diante dele.
No versículo 37 do Evangelho, ao ouvirem as palavras do Batista, os discípulos passaram a seguir Jesus. Vendo que o seguiam, Jesus pergunta: “O que estais procurando?” Eles dizem: “Rabi, onde moras?” E Jesus fala-lhes: “Vinde ver!” Então eles foram ver onde Jesus morava e, nesse dia, permaneceram (verbo que se repete no evangelho joanino) em sua companhia (v.39). Um dos que ouviram o Batista e seguiram Jesus era André, irmão de Simão Pedro. Ele foi até seu irmão e lhe disse: “Encontramos o Messias”, que João explica: “que quer dizer Cristo”.
André conduziu Simão a Jesus. O Senhor viu (do verbo grego idon – traduzido por “ver”, no sentido de “identificar”) Simão com profundidade e disse-lhe: “Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas (que se traduz por Pedra)” (v. 41-42). Desse modo, “encontramos o Messias” é a expressão-chave da celebração deste domingo. Também necessitamos descobrir em nossa existência cristã o Messias, que nos chama e nos convida a permanecer com ele.
Essa narrativa vocacional nos convoca para seguir os passos de Jesus Cristo e permanecer com ele. Sermos olhados – identificados – por Jesus é, para nós, condição de possibilidade para o encantamento necessário, com base no qual ele conta conosco para edificar sua Igreja como pedras vivas desse edifício espiritual (1Pd 2,5), cujo fundamento é a fé apostólica de Pedro. Assim formaremos uma casa espiritual – como lembra o apóstolo Pedro em sua primeira carta: um sacerdócio santo. (Vida Pastoral, Paulus, n. 355)

 

Por: Diácono Lombardi

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