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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Artigos

O que é cultura do estupro?

Ser mulher hoje em dia não é fácil! Nunca foi. Desde a rotina dupla do trabalho para sustentar os gastos de um lar a cuidar de uma casa, dos filhos; das cólicas e alterações de humor devido às funções biológicas, de carregar por meses um filho no ventre. Da pressão da sociedade, que ainda insiste em dividir e definir os papéis em um relacionamento, o homem como aquele que está acima, que determina, que rege a casa, a mulher como submissa, como auxiliadora apenas, quando na verdade toma para si, de maneira quase que automática e imposta todas as tarefas de gestão e manutenção de um lar.

Não é fácil porque para ser mulher, conforme nossa cultura, é seguir os padrões de beleza impostos pela mídia para consumo, como o padrão perfeito; a pressão ter o corpo ideal, de usar a maquiagem certa, a roupa adequada, e ai se não for apropriada, é logo taxada, de "mulher fácil", "mulher dada".

Ser mulher na cultura machista que ainda insiste em se fazer presente, em pleno século XXI, é ter aguentar os assobios, os cortejos, muitos dos quais indecentes, por parte de muitos homens; é aguentar os olhares, que acompanham seu rebolar onde quer que vá. Sem ao menos pedir qualquer elogio, cantada, assobio ou olhar.

Cultura do estupro é essa cultura baseada em um machismo que insiste em permanecer na sociedade; o machismo que afirma a superioridade do papel masculino, da dominação dos homens, superioridade, e inclusive a aversão ao feminino. Não é a aversão à mulher em si, mas o taxar de "mulherzinha" aquilo que é fraco.

Cultura do estupro é a cultura onde nas brigas de marido e mulher não se "mete a colher", onde a vizinha que apanha do marido, apanha calada, e ninguém ouve. É a cultura do patriarcado, e esse, é o velho marco institucional da sociedade brasileira, vindo desde o Brasil colônia, centrado na figura do homem, do pai, do proprietário, fortalecendo e institucionalizando a figura do homem como o que domina, provê e determina.

Cultura do estupro é aquela que normatiza o estupro, aquela que justifica o ato do agressor, do estuprador, do dominador, de modo que a culpa ou parte dela não é do opressor, mas da roupa que a mulher vestia, do horário e local que estava, do modo como se portava, pela mulher apenas usar a sua liberdade de ir e vir. Ou seria "liberdade"?

 

Leonardo Ferrari Silva, graduando no curso em licenciatura em História da Faculdade Barretos

 

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