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segunda-feira, 14 de junho de 2021

Artigos

O que é a Realidade?

A Metafísica traz consigo conhecimentos que vão além da matéria e estuda os princípios da realidade que foge de muitas ciências. A sua intenção é dar explicações sobre a essência dos seres e a razão de estarmos no mundo, além de falar a respeito da interação dos seres humanos com o Universo. Desfrutando deste conhecimento, podemos nos dar a chance de nos aprofundar em nossos espíritos para saborearmos da nossa possível existência que está presa a nós, que se mostra invisível aos nossos olhos, confundindo-nos a respeito do que é real e do que se mostra.
A Física diz que a realidade vive dentro de nós e a Psicologia explica o fato de como vemos o mundo ao nosso redor. O modo com que enxergarmos nada mais é do que um reflexo de estado de mente que sustenta a imagem dos nossos seres, que provavelmente veem o externo como uma projeção criada pelo meio em que vivemos e pela forma que fomos criados e desenvolvidos pelos acontecimentos que nos deram a base para a nossa formação que é contínua.
A nossa consciência real habita o profundo de nossos espíritos, que são explicados pela Mecânica Quântica, que é uma parte da Física que tem revelado algumas “verdades” espirituais. A partir da Física Quântica e estudando as partículas sub-atômicas, pode-se dizer que a realidade não material se revela aos olhos dos cientistas como um holograma que é produzido pelo cinematográfo de nossas mentes. Dentro da Física Quântica a energia é vista como ondas de possibilidades. Possibilidades de escolha da consciência em fazer algo acontecer, e esse algo é a realidade. Você cria e escolhe a sua!
A realidade pode ser considerada uma experiência física que foge dos nossos olhos e que ativa o nosso sentir. A ideia de espaço e tempo é ilusória, pois ela não faz parte do todo, ela é uma criação humana que nos adapta ao meio que vivemos, ou que achamos viver. Muitas discussões ocorrem quando o assunto é a realidade, e não necessariamente essa complexidade se volta ao meio científico, se volta com grande intensidade também ao nosso dia a dia. A todo instante iniciamos conflitos que se baseiam na nossa forma de ver o mundo, e assim determinamos o que existe e o que é certo e errado. Dessa forma, entramos em contradições, diálogos e até mesmo brigas com outras pessoas, afinal defendemos com unhas e dentes o núcleo de nossas certezas absolutas que podem não ser tão absolutas quanto imaginamos. Assim como a realidade, as certezas são individuais, pois não só fazem parte, como também são a nossa singularidade, a raiz de nossos seres. Não há finalidade em querer impor um pensamento ou visão que reflete a individualidade de cada um, não seria justo. O ideal mesmo seria tentar compreender de uma forma abrangente o meio em que vivemos e o que somos. É essencial entendermos que nós e o mundo estamos em mutação, estamos em descobrimento. Contudo, não podemos nos concluir e tentar definir a totalidade, é preciso primeiramente compreender o centro para podermos atingir outras dimensões, digamos assim.
A Psicanálise é uma viagem para o interior do sujeito psíquico, e em sua obra Freud, desde muito cedo diferenciou a realidade interna da externa, embora a passagem de uma para a outra seja sempre uma constante. As noções da realidade se dão a partir da subjetividade, sendo assim, é preciso buscar pelo que se diz realidade dentro para poder compreendê-la. Aquilo que afirmamos ser real pode ser uma transferência do que mora dentro de nós, o nosso eu. Para compreendermos a nossa própria complexidade será preciso nos afastarmos do ego, pois é ele que nos dá a certeza de que sabemos do que e de quem somos. É ele que nos prende numa realidade inexistente nos afastando então da realidade verdadeira que é irreal, pois ela é viva dentro de nós. Não podemos vê-la e nem tocá-la, porém podemos senti-la e ser ela. A nossa consciência, conhecida também como essência, é formada por nossa energia que é sustentada pela matéria. A consciência de forma criativa é acompanhada pela complexidade de expressão que se reluz nas possibilidades, manifestando-se na formação de nossa realidade concreta e objetiva da qual está em nossa vivência. O nosso despertar ocorrerá no momento em que separarmos o sujeito do objeto, a partir do momento em que ativarmos o nosso super ego que, na verdade, está sempre ativo, mas que muitas vezes não é ouvido. Nós, seres antes de humanos, somos mais que nossos pensamentos, certezas e suposições, somos simplesmente muito mais do que pensamos ser, e a prova disso é o fato de ainda não termos solucionado quem somos, pelo fato de sermos imensos, ou quem sabe eternos, sem começo e fim.
Por que não compreender e aceitar o fato de projetarmos a nossa própria realidade? Por que não conhecer a realidade verdadeira e invisível que habita a nossa essência, aquela que constitui o nosso eu? Por que não irmos à busca da única certeza que possuímos? A de que poderemos nunca nos descobrir por inteiros. Duvidem-se!

CAMILA CARRERA
Jornalista, fotógrafa e
escritora.

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