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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

O poder do justo

Nós aprendemos o ditado que diz: “Os justos pagam pelos pecadores”. De fato, a Bíblia o confirma dizendo “que os filhos pagam pelos pecados dos pais”. E nós sabemos, por experiência, que isto é uma lamentável verdade.
Porém, para nossa alegria, esta não toda a verdade. Porque acompanhando a história da salvação, de acordo com a Palavra de Deus, o exemplo dos justos, de Jesus e de seus imitadores, se não fossem os justos, o mundo já estaria perdido, embora a maior parte da humanidade continue pensando que são os ricos, os sábios e os poderosos que vão salvar o mundo.
Mas, por enquanto, estão nos demonstrando que são eles os que destroem a natureza criada por Deus para o nosso bem-estar, e invadem a terra que Ele criou para produzir alimentos para todos viverem em paz. Sobre esta realidade, a Sagrada Escritura nos convidava a refletir no domingo, por ser esta a missão da Igreja: cuidar do mundo que Deus criou para que todos tenham o necessário para viver em paz. E nós somos responsáveis por ela.
Na primeira leitura da Liturgia da Palavra do 17º Domingo Comum, continua a história de Abraão e de Sara que, a pedido de Deus, abandonam a sua terra em companhia do sobrinho Lot com os seus rebanhos, e vão para a terra de Canaã (Gn 18,20-32). Chegando lá, para evitar problemas de família, Abraão dividiu o território em duas partes: a parte do rio Jordão e a parte montanhosa. O Sobrinho escolheu a parte do rio por ser a mais rica. Abraão ficou com a parte de montanha. No lado do rio Jordão, logo foram construídas duas cidades: Sodoma e Gomorra. Com a riqueza, cresceu também a corrupção. “O Senhor disse a Abraão: ‘O clamor contra Sodoma e Gomorra cresceu, e agravou-se muito o seu pecado. Vou descer para verificar se suas obras correspondem ou não ao clamor que chegou a mim’. Então disse Abraão: ‘Vais realmente exterminar o justo com o ímpio?’. O Senhor respondeu: ‘Por causa dos dez justos não a destruiria’”.
Depois que o demônio conseguiu enganar aos nossos primeiros pais a destruição foi tão grande que, até hoje, temos a impressão que o maligno continua tomando conta do mundo. Porém, como estamos vendo, do principio ao fim da Bíblia, os bons triunfarão eternamente sobre os maus. São Paulo, na sua carta aos Colossenses (2,12-14), diz: “Irmãos, com Cristo fostes sepultados pelo batismo; com Ele também fostes ressuscitados por meio da fé no poder de Deus, que ressuscitou a Cristo dentre os mortos. Ora, vós estáveis mortos por causa dos vossos pecados até que Deus vos trouxe para a vida, junto com Cristo, e a todos nós perdoou os pecados. Existia contra nós uma conta a ser paga mas ele a cancelou apesar das obrigações legais e eliminou, pregando-a na cruz”.
Jesus veio para garantir-nos a certeza da vitória do bem sobre o mal. E o faz numa comparação que todos nós temos possibilidade de compreender. Foi quando os discípulos pediram a Ele (Lc11,1-13): “‘Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos’. Jesus respondeu: ‘Quando rezardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino. Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores; a não nos deixes cair na tentação’”.
E termina dizendo: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem”. Lembremos, porém, que o Pai nos dá o Espírito Santo para fazer o bem sempre. Não só para quebrar um galho!

Monsenhor Antonio Santcliments Torras
Pároco emérito da Paróquia São João Batista de Olímpia

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