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sexta-feira, 07 de abril de 2017

Artigos

O poder de um só

Já observou o como é difícil uma pessoa fazer a diferença? Pensemos no mundo, quem sozinho fez a diferença? Santa Madre Teresa de Calcutá, Beata Irmã Dulce, Dra. Zilda Arns… E nós? Quão difícil é fazer a diferença! Mas, para fazer o mal, basta o exemplo da dona Dilma. 
E 17 de março será lembrado como o dia em que um delegado da polícia federal pôs “grilos nas cabeças” dos consumidores de carne brasileira do mundo todo, ameaçando exportações de 14,5 bilhões de dólares, e com informações erradas. Haveria um suposto esquema de propinas que permitiria a distribuição de cargas adulteradas de carne bovina, frango e embutidos de porco e aves. 
Foi uma comédia de erros, para os concorrentes do Brasil, mas uma tragédia sem igual para o país. O dia começa com a Polícia Federal anunciando a maior operação já realizada na história, envolvendo 1.100 policiais em seis Estados e no Distrito Federal, cumprindo 194 mandados de busca e apreensão, 27 prisões preventivas, 11 temporárias e 77 conduções coercitivas. A operação atingiu mais de 70 empresas. E bloqueando R$ 1 bilhão das investigadas. Querem falir essas empresas? 
A propina seria paga com dinheiro e carne… Caramba! Carne? Que mixaria de propina é essa? E para que? Para a liberação de carne vencida, contaminada, a troca de rótulos de validade, e o uso de substâncias químicas para maquiar carne estragada. E em embutidos que seriam vendidos no país, na Europa e na China. 
Em gravação envolvendo o Frigorífico Larissa, em Iporã, Paraná, feita em maio de 2016, o dono, Paulo Rogério Sposito, manda um funcionário usar produtos vencidos há três meses. A empresa Peccin, de Curitiba, comprou notas fiscais falsas de produtos com o selo de inspeção para justificar a compra de carne podre e uso de um produto químico para maquiar carnes estragadas. A Peccin produz derivados de frango, porco, e embutidos em geral. Em conversa gravada em março de 2016, Idair e Nair Piccin, falam em utilizar carne de cabeça de porco na linguiça, o que seria proibido. No saber dos policiais que erraram de novo! E generalizaram para as grandes. 
Mas que coisa, os policiais federais sabem há um ano que usam carne podre e deixam isso continuar? E a saúde pública? Esses policiais não tem responsabilidade social? Não se preocupam com crianças e velhos que podem morrer por causa da carne “podre”? Isso é tão inacreditável que se não víssemos o próprio delegado sendo entrevistado, não acreditaríamos. 
A Polícia Federal ainda cita uma conversa entre o gerente de produção da BRF e um funcionário. A PF diz que eles falam em colocar papelão junto com a carne moída. Ai caramba! Papelão mistura com carne? Dá textura de carne? Aí, esclarecem que o papelão é para a embalagem… Que papelão fizeram esses policiais! 
Para completar, divulgam uma gravação do atual ministro da Justiça, sem nada comprometedor e afirmam que não encontraram nenhum indício de ilegalidade na conduta do ministro, e que ele não é investigado… E para que constranger o ministro que é chefe desses policiais federais? Ameaça velada? Que Brasil é esse que nos tornamos e que um só homem destrói um país? 
 
Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano. 

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