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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

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O Planeta Nove

Saturno era o planeta mais distante do Sol até 1.781, quando o inglês Willian Herschel descobriu o sétimo planeta, denominado Urano, pai de Kronos (Saturno) e deus do céu (no Pai Nosso original em grego, aprece duas vezes essa referência ao céu: ouranois e ourano). Urano pode ser visto a olho nu, mas têm cinco mil estrelas mais brilhantes.
Em 1.821, Alexis Bouvard calculou a órbita de Urano e observou um pequeno desvio, deveria ser a influência de um oitavo planeta. Em 1.845, John Adams e Urbain Leverrier calcularam a possível posição do planeta independentemente.
Em 1.846, Johann Galle achou o novo planeta. Por apresentar uma coloração verde, nomearam-no Netuno, o deus romano do mar (Poseidon para os gregos). Netuno não explicava todos os desvios na órbita de Urano, assim Percival Lowell e Willian Pickering, independentemente, calcularam e iniciaram a busca do nono planeta, no início do século.
Finalmente, em 1.930, Clyde Tombaugh, descobriu o planeta, entre 50.000 estrelas, chamado Plutão (o deus das profundezas do inferno) e sendo uma homenagem a Lowell já que as duas primeiras letras P e L são as iniciais do astrônomo persistente. Sem explicar as perturbações, continuaram a procurar o décimo planeta, denominado Planeta X (a letra x também é o número dez em latim).
Nunca fiquei interessado pelo assunto, pois havia muito misticismo por trás do assunto, até ser tratado pela NASA. Em 2015, Konstantin Batygin e Mike Brown, pesquisadores do Caltech, observaram que alguns dos planetas anões e outros pequenos objetos gelados do Cinturão de Kuiper tendem a seguir órbitas que se agrupam. Ao analisar essas órbitas, a equipe do Caltech calculou a possibilidade de que haja um planeta grande e não descoberto ainda.
Eles estimaram a força gravitacional e posição desse possível planeta de modo a explicar as órbitas incomuns desses objetos. Pelos cálculos, este planeta teria o tamanho de Netuno e orbitaria o Sol em uma órbita altamente alongada, muito além de Plutão, cerca de 20 vezes mais distante do Sol do que Netuno e podendo levar até 20.000 anos terrestres para completar uma órbita completa ao redor do Sol. Netuno que orbita o Sol a uma distância média de cerca de 4,5 bilhões de quilômetros e leva 165 anos para completar uma órbita.
Astrônomos do mundo, incluindo Batygin e Brown, começaram a usar os telescópios mais poderosos do mundo para procurar o planeta em sua órbita prevista. Qualquer objeto tão distante do Sol será muito fraco e difícil de detectar, mas os astrônomos calculam que deve ser possível vê-lo usando telescópios existentes.
E, se acharem o nono planeta, quase certamente não o nomearão Niburu, o mítico planeta (ou estrela) da astronomia babilônica e que aparece em uma tábua do épico Enuma Elish, que voltou a ficar em evidência quando em 2003 alguns malucos previram que se chocaria com a Terra em 2012. O nome de um planeta tem que ser aprovado pela União Astronômica Internacional e são tradicionalmente nomeados em homenagem a deuses romanos da mitologia. Tomara que algum astrônomo brasileiro descubra.

 

 

Mario Eugenio Saturno
(cientecfan.blogspot.com)
é Tecnologista Sênior do
Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (INPE) e congregado mariano

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