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segunda-feira, 24 de junho de 2024

Artigos

O papel da técnica

O uso das tecnologias cada vez mais sofisticadas faz parte de todas as atividades da sociedade, e também na Educação. O problema não é a tecnologia em si, que muito contribui para facilitar procedimentos que auxiliam nos estudos e trabalhos. Mas os questionamentos feitos são em relação a uma espécie de tecnicismo, que não pode comprometer os valores humanos. É preciso que haja um equilíbrio entre técnica e ser humano, para que a técnica não desumanize. Há aspectos importantes que comprovam que a técnica pode propiciar melhores condições de vida, no melhor aproveitamento dos recursos e do tempo utilizado na produção e na realização do trabalho. O desafio está, no entanto, em como viabilizar tais melhorias sem a desumanização, sem que se imponha uma sociedade tecnocrática que coloque a técnica acima dos valores humanos.
No artigo, “Nós e as máquinas, um parentesco subjuntivo”, Guilherme Tenher Rodrigues afirma que “é possível observar através do progresso tecnológico que os seres humanos fizeram das máquinas verdadeiros simulacros evolutivos, partindo de instrumentos utilizados como extensão e aumento das capacidades corporais, passando pela criação de máquinas que diminuíam a presença humana em determinadas tarefas, até a criação de autômatos, com capacidades funcionais com alto grau de independência. O que observamos aqui é a manifestação de uma forma, a forma antrópica, de utilizar a Técnica. Em outras palavras, quando analisamos o progresso tecnológico, há que contextualizá-lo dentro da capacidade cognitiva de memorização-criação tonificada pelo campo de intencionalidades humanas”. E acrescenta: “O humano fez da Técnica um verdadeiro elemento ontológico, visceral e, portanto, identitário”. Isso não quer dizer que vale-tudo na relação do ser humano com as tecnologias, com as máquinas. É preciso um limite ético que permita o melhor aproveitamento da técnica, sem a desumanização.
Mesmo sabendo que a “ artificialização, segundo o filósofo Hilan Bensusan, é uma característica fundamental para entendermos o pensamento ocidental com relação à técnica”, é preciso que haja o limite ético da artificialização, para que o ser humano não seja vítima da artificialização, em muitos aspectos da vida, que requer o respeito á dignidade da pessoa humana. Todos esses desafios estão aí e fazem parte do nosso dia-a-dia, e que serão objeto de muito debate, também na área educacional, para efetivarem as melhores ações que beneficiem as pessoas, de todas as idades e camadas sociais, no mundo todo.

 

 

Valmor Bolan é Doutor em
Sociologia. Professor da Unisa.
Ex-reitor e Dirigente
(hoje membro honorário) do
Conselho de Reitores das
Universidades Brasileiras.

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