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O Papa escreve a história
A queda do muro de Berlim é considerada por muitos historiadores como resultado das articulações do Papa Joäo Paulo II. A aproximação de Cuba e os Estados Unidos é uma ação direta do Papa Francisco que convenceu o presidente Obama a acabar com mais de meio século de embargo.
Esta viagem para Cuba e, em seguida, aos Estados Unidos criou um marco. Se João Paulo II obteve a permissão para se comemorar o Natal, que os católicos pudessem ser funcionários públicos e que a igreja tivesse autonomia, a única organização de Cuba, Francisco consegue trazer a paz à região. Consonante com sua declaração: “Farei o possível para construir pontes, ou desbloquear, para que a comunicação dê lugar à amizade”.
E ainda no aeroporto, Francisco pediu a Raúl Castro, que mantenha o esforço diplomático, “o mundo precisa de reconciliação em meio a esta Terceira Guerra Mundial em etapas que estamos vivendo”. Em seguida, Francisco percorreu em carro aberto o caminho até a embaixada da Santa Sé em Havana, sendo recebido por mais de cem mil cubanos, algo inimaginável há pouco tempo.
O Papa ainda declarou que pediria à Virgem da Caridade do Cobre: “que abençoe a população cubana para que ela transite pelo caminho de justiça, paz, liberdade e reconciliação”, uma alusão aos dissidentes, certamente.
Já nos Estados Unidos, o Papa lembrou sua condição de filho de imigrantes italianos na Argentina para pedir aos bispos dos Estados Unidos que acolham os imigrantes latinos. E, mais uma vez, utilizou um carro médio para se deslocar, desta vez um Fiat 500 L, uma minivan. Repetiu o gesto feito no Brasil. Aliás, o Idea usado aqui irá para o museu da Fiat.
O Papa canonizou o primeiro santo norte-americano, o padre franciscano Junípero Serra, na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washington. Em 1769, Serra deixou a Espanha, onde nascera, para evangelizar a população da costa da Califórnia. Por acaso eu visitei em Los Angeles uma igreja dedicada a ele e seus companheiros. Assim como o nosso Anchieta, há muitos críticos ao santo… Mas ele foi fundamental para proteger as mulheres indígenas dos soldados espanhóis e evitou a execução de homens acusados de terem matado missionários.
Entre as missões fundadas por Serra estão as de Los Angeles, São Francisco e San Diego. Na Califórnia, ele é estudado nas escolas. E há até uma estátua dele no Capitólio, em Washington.
O Papa ainda foi no Congresso, pela primeira vez na história, recebido com aplausos calorosos e gritos entusiasmados pelos congressistas, falou em inglês por 50 minutos pedindo o fim da pena de morte, condenou o fundamentalismo religioso e voltou a defender os imigrantes: “Toda vida é sagrada, toda pessoa humana é dotada de dignidade inalienável, e a sociedade só pode se beneficiar da reabilitação daqueles condenados por crimes”.
Finalmente, em Nova York, Francisco falou na ONU, criticando a destruição do meio-ambiente, a cultura do descarte e defendeu a reforma do Conselho de Segurança. O afã egoísta e desenfreado por poder e bem-estar material priva os seres humanos do conhecimento e de recursos.
Mario Eugenio Saturno (cienciacuriosa.blog.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.