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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Artigos

O outro que não sou

Quem já ouviu dizer a palavra alteridade? Significa “qualidade do que é outro.” Específico de alguém que não sou. O não eu. O outro…
Penso que é fácil dizer algo sobre alguém. É o que mais se faz e, na maioria das vezes, isso tem um nome comum: fofoca. Difícil é caracterizar as qualidades do outro, conhecê-lo, entendê-lo, dizê-lo como realmente é.
Por mais que o conheçamos, o outro terá sempre um que de mistério que não conhecemos. E para tal, às vezes, é impossível porque pressupõe a necessidade de ser aquele que não somos: o outro. É por não ser o outro que jamais o qualificaremos como realmente é.
Todo juízo que elaboramos acerca de alguém ou algo traz como pano de fundo o que somos e como nos encontramos. O nosso estado interfere no modo como definimos as coisas ou alguém. Não há neutralidade. É por isso que o outro, às vezes, pode apresentar-se estranho. E estranho é o que não sou, não sei.
 
Pe. Ronaldo Miguel
Mestrando em Roma

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