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sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Artigos

O novo império tecnológico

A tecnologia vem fazendo cada vez mais parte da vida das pessoas, isso já não é novidade para ninguém, afinal de contas ela nos oferece algumas comodidades que facilitam nosso cotidiano e agilizam o nosso tempo, do disco de vinil aos aplicativos de música online, das telas de tubo ao ultra led 8k, dos veículos carburados aos mais sofisticados sistemas turbos, a tecnologia realmente está em tudo.
O que acontece é que nós ainda não nos acostumamos a lidar com essas mudanças tão drásticas na forma como nós nos comunicamos. As mudanças de uma década, por exemplo dos anos 80 até os anos 90, não eram tão significativas quanto de 2010 a 2020. Em 2010 os smartphones estavam começando a fazer parte da vida das pessoas, touch screen era algo inovador, internet de banda larga era algo espetacular,
Nesses anos a inovação tecnológica foi expressiva na forma como as pessoas se comunicam, em períodos de pandemia essas ferramentas tornaram-se essenciais para os ambientes de trabalho, grupos escolares, entrevistas de emprego entre outros. Nossa vida se tornou algo mágico, o aumento da expectativa dos clientes em cima de produtos cada vez mais inovadores cresceu muito e nesse mundo de inovações há um aspecto que deve ser levado em consideração na corrida de criatividades e inovações, que é o nosso próprio patrimônio, e quando me refiro a patrimônio não estou dizendo sobre sua casa, seu carro ou seus bens materiais, estou me referindo a sua identidade como ser humano. Para entender algumas questões que nos tornam indivíduos únicos, seres humanos são exclusivos e a espécie Homo sapiens se tornou o que é por conta da sua capacidade de entender o mundo ao seu redor, o homem que sabe ou a humanidade que sabe, sabe o que quer, sabe caçar, sabe cuidar, sabe agradecer, sabe amar, sabe ler, sabe se comunicar, no entanto, estamos perdendo um pouco do nosso autorreconhecimento.
Pense bem, quando compramos um carro, na verdade não compramos, pois queremos o item “carro”, na verdade ele é um instrumento útil para o deslocamento para lugares em um prazo mais curto do que aquele que teríamos se fizéssemos sem ele, por exemplo indo a pé, de bicicleta, de ônibus entre outras formas, é claro que também pensamos na comodidade e no conforto, mas nossas percepções vão além disso, hoje os itens se tornaram cada vez mais substituíveis, carros já não passam de uma década em nossas mãos, já não é interessante ficar por muito tempo com o mesmo celular, notebooks e tablets ficam lentos conforme as novas tecnologias surgem e isso demanda mais processamento, tudo isso para nos poupar tempo, toda essa tecnologia surge com essas justificativas, reduzir o tempo de espera, aumentar a qualidade e o conforto. Mas qual tempo estamos tendo para nossas relações verdadeiras? Quanto tempo você gasta olhando para as pessoas ao seu redor? Esse mesmo tempo que economizamos no deslocamento do carro, ou do download bem sucedido também nos destrói como seres humanos, perdemos nossa identidade e nosso patrimônio humanístico, a história nos traz relatos recentes da busca pelo poder e pelo reconhecimento, será que não estamos ingressando em um caminho muito parecido ao dos antigos imperadores, senhores feudais, reis e rainhas soberbos ao ter todo tempo do mundo, mas não termos tempo para nós mesmos, tempo para nossa família, para ler uma história para seu filho ou neto, contar sobre o primeiro namorado ou namorada, consertar algo junto com seu filho, assistir a um filme com seus primos.
Já está na hora de reconhecermos nosso lado humano em meio a tanta tecnologia, sinceramente não sabemos o que vem por aí e a tendência é que cada vez mais os produtos nos ofereçam aquilo que precisamos, e nos dias atuais o que realmente precisamos é estar próximo de quem amamos, só precisamos de uma desculpa para que isso realmente aconteça, seja uma falta de energia, seja um carro quebrado, ou seja, um almoço em família, o que importa é ser mais humano entre a humanidade.

* Leonardo Vieira- Professor de Biologia na rede pública de ensino

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