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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Artigos

O LÍDER MANDELA

Morreu aos 95 anos o líder Nelson Mandela, mas fica para sempre na memória global como o político mais admirado do mundo. Sua marca principal, a luta por mudanças sociais tidas como impossíveis. Homem virtuoso, destinado a fazer o bem. Após sobreviver a prisão por mais de 27 anos, pela luta contra um regime racista, teve a transcendência de evitar uma guerra civil e conduzir o processo de reconciliação entre negros e brancos. Sua trajetória inabalável e coragem cívica o tornaram a principal personalidade na luta contra a discriminação e justiça social. Pensar que até bem pouco os negros da África do Sul, não tinham direito a voto e sequer podiam freqüentar lugares que eram de uso exclusivo dos brancos, oferece a dimensão das disputas e das conquistas de Mandela. Teve portanto, este grande privilégio de defender os direitos da população negra nas circunstâncias do radicalismo, mas que pela exemplaridade alcançou situações semelhantes em parte do território global e combateu o preconceito contra os negros espalhado por todo o mundo. Chegou ao ponto de pela causa aderir à luta armada, mas com um peso na consciência, porque por princípio sempre foi contra o derramamento de sangue e ativista da paz. Talvez a passagem mais marcante de seu caráter, como é próprio dos grandes homens, tenha se expressado quando enfrentava todas as adversidades do trabalho forçado e do isolamento na prisão e disse: “Qualquer homem ou instituição que tente roubar de mim a minha dignidade vai perder, porque não vou me separar dela por preço algum ou sob qualquer pressão”. Nesta capacidade singular de expressar suas convicções e por via de conseqüência na personalidade é que residiu sempre seu maior mérito. Pelo magnetismo pessoal e posicionamento foi disseminando atitudes, que transcenderam e tiveram larga repercussão internacional. Mandela teve muitas dificuldades como Presidente do seu país. A expectativa de resposta às extremas necessidades dos negros empobrecidos e marginalizados ao longo dos anos não foi atendida, nem poderia, mas solidificou o direito de ir e vir e o conceito de justiça social, evitando a guerra civil. Tanto foi assim, que não quis renovar seu mandato, preferindo ocupar espaços internacionais na luta pela grande causa contra a discriminação e inclusão dos negros. Neste momento de exaltação e reflexão sobre o grande líder Nelson Mandela é bom que se questione porque uma causa tão justa e humanitária oferece tantos desafios? A paz, a justiça, a liberdade, valores fundamentais para a vida e a dignidade do ser humano ainda são privilégios. Precisam ser conquistados. E por mais insensível que pareça nos dias atuais, ainda nos deparamos com os que pensam que o interesse privado está acima do interesse público, que a violência e a força faz a justiça e que a dominação dos que têm e podem mais é a lógica natural da sociedade. Não é o que mostra a trajetória política de Madiba. Valeu. 
 
Afonso Motta, Advogado, produtor rural e Secretário de Estado

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