Ir para o conteúdo

segunda-feira, 04 de março de 2024

Artigos

O lado oculto das compras “online”

Uma pesquisa recente realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, revelou dados preocupantes sobre o comportamento dos consumidores brasileiros em relação às compras online em sites internacionais.

 

Os números são impressionantes: 77% dos consumidores realizaram pelo menos uma compra em sites internacionais nos últimos 12 meses, totalizando uma cifra alarmante de 90,83 milhões de consumidores. Embora as razões apontadas para essa crescente preferência incluam o preço reduzido, economia de gastos e maior variedade de produtos, é preciso analisar os impactos dessa tendência no cenário nacional.

 

A preferência por produtos estrangeiros não é apenas uma questão de escolha individual; ela carrega consigo implicações significativas para a economia local. A ausência de pagamento de tributos por parte das plataformas internacionais resulta em uma concorrência desleal, prejudicando a competitividade e o crescimento das empresas brasileiras.

 

A falta de consciência sobre as taxas envolvidas nas compras internacionais é outro ponto crítico. Enquanto 88% dos consumidores afirmam verificar as taxas antes da compra, 45% admitem não ter conhecimento sobre esses encargos, o que pode resultar em surpresas desagradáveis ao receber a fatura.

 

A preferência por sites chineses, apesar do conhecimento do impacto negativo no comércio local, é um reflexo preocupante da busca desenfreada por preços baixos. Os líderes de mercado, como Shopee, Amazon, Shein e Aliexpress, dominam as preferências dos consumidores, consolidando ainda mais a influência estrangeira.

 

Embora a satisfação dos consumidores com as compras em sites internacionais seja alta, com uma média de 4,1 em uma escala de 1 a 5, é crucial atentar para as experiências problemáticas destacadas por 21% dos entrevistados. Problemas como falta de suporte ao cliente, atrasos na entrega e produtos diferentes do anunciado indicam riscos associados a essa prática.

 

As desvantagens apontadas, como o tempo de entrega, risco de baixa qualidade, dificuldade para trocas e a possibilidade de taxas alfandegárias, destacam a necessidade urgente de uma reflexão coletiva sobre os impactos sociais e econômicos dessas escolhas.

 

Em uma avaliação de segurança contra golpes, a nota média de 7,4 revela uma confiança moderada, indicando que os consumidores estão cientes dos riscos, mas ainda assim optam por arriscar. É mais que vital ponderar sobre o equilíbrio entre a busca por preços mais acessíveis e o compromisso com o desenvolvimento econômico interno. As escolhas individuais reverberam no coletivo, e é necessário um olhar crítico sobre como o comércio internacional pode impactar não apenas a carteira do consumidor, mas também o futuro das empresas brasileiras e a economia como um todo.

 

 

Gregório José

Jornalista/Radialista/Filósofo

Pós Graduado em Gestão Escolar

Pós Graduado em Ciências Políticas

Pós Graduado em Mediação e Conciliação

MBA em Gestão Pública

 

 

Compartilhe: