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terça-feira, 05 de março de 2024

Artigos

O jornalismo atual e o desvirtuamento de uma profissão

Balanço da qualidade jornalística brasileira revela uma situação que chama atenção e assusta. Os aspectos possíveis de serem analisados caberiam num livro de crônicas merecedoras de serem conhecidas.
Começa pela realidade da decadência das grandes redes nacionais, encabeçadas pela Rede Globo que, pessoalmente, não tenho assistido há mais de 5 anos. Parcimoniosa, oportunista, manipuladora e permutando o dever jornalístico limpo e independente, por evidente parasitismo aos cofres públicos.
Infelizmente, as outras grandes redes a acompanham de forma “tímida” e disfarçada, exceção a uma ou outra “inocentes”, porém, fugindo do verdadeiro papel investigativo e denunciante.
Pecam, alguns da nova geração, ao ganharem afeição por determinado polo ideológico, por não conseguirem manter a devida neutralidade ao informar ou tratar do fato.
Soma-se a isso a falta do devido preparo profissional, ao não terem uma linguagem correta, ora pelo fator dicção, ora por falta de capacidade de síntese ou fugir do que é prolixo.
Exemplos? Vamos lá. A ferramenta importante é a fala ou dicção relacionada ao processo de locução, tendo que utilizar língua, lábios, dentes e palato para produzir um som ou fonética neutra, clara e livre de vícios de desagradam a audiência.
Parece uma coisa simplória mas trata-se do uso de “uma ferramenta” essencial para a adesão do ouvinte que, se não for tecnicamente adequada, é capaz de romper o elo exatamente com o principal “freguês.
Relacionado a isso, são os sotaques regionais que precisariam, num país continental e diversificado como o Brasil, ganharem um padrão distante dos arraigados sons ou fonemas das diversas regiões.
O exemplo mais gritante é o sotaque carioca com sons de S expressos por Xis (ou melhor Xix), fáceis de serem identificados. E quando a palavra tem vários Ss, dando uma sequência emendada de [Xix] sobre [Xix]? Fica, no mínimo, estranho ouvir-se a pronúncia de [Iaijmin Coixta] para expressar Iasmin Costa…
Ainda, no “carioquês”, as palavras que têm silabas com consoante N antecedendo outra sílaba começada por qualquer consoante: a inclusão do som de U antes da consoante seguinte, que provoca, às vezes, uma deformidade sonora de palavras. Exemplos: vale[u]nte, disti[u]nto; descre[u]nte; importa[u]nte.
Esquecendo-se que as palavras merecem ter suas pronúncias sem alterações que as levem a qualquer tipo de estranheza ou rejeição.
Pode até ser agradável num convívio social visitando a Cidade Maravilhosa, porém, como forma de veicular notícias ou debates jornalísticos, fica a dúvida se, na verdade, prendem a atenção do brasileiro de todos os recantos do país.
E assim por diante, essa crítica valendo também para o sotaque caipira do interior de São Paulo (tipo piracicabano), o sotaque nordestino sobejamente diversificado e conhecido e, por que não dizer, do gaúcho, mineiro, catarinense ou paranaense.
Feita a observação fica patente que não se trata (jamais) de ofensa discriminatória mas, sim, de busca de uniformidade de locução/audição capaz de atrair a audiência e não gerar perda de ganho das informações e dos informados.
A outra questão se refere aos limites de atuação, no programa noticioso ou de debates, do papel do repórter de “campo/rua”, do âncora e dos comentaristas de bancada.
Precisa ser ensinado e entendido pelo repórter de campo, que o fato é para ser narrado tal qual a sua realidade, sem o enxerto de comentários e prolixidade (narrativa), que não é o seu papel. É, sim, função dos comentaristas de bancada ou (até) do âncora dependendo do caso.
O que agrava ainda mais o que temos visto. São alguns repórteres que não conseguem esconder ou disfarçar os seus “pendores” ideológicos e com isso causando dissabores ao ouvinte.
A audiência quer a pureza do fato, dita com objetividade e clareza, sem encompridar e sem viés ideológico ou partidário que certamente irá desagradar alguém ou a alguns.
Para abrandar o espirito crítico é válido se elogiar emissoras que colocam um âncora isento e comentaristas distribuídos para cada lado ideológico. Sem absurdos que fujam da lógica, do histórico e da realidade factual (leia-se, verdade).
O que nos resta é conviver com a questão e saber lidar com os defeitos, até nos valendo do recurso de abaixar o som (seletivamente) ou mudar para um filme que agrade. Muito embora, seja correto lutar por mudanças para paradigmas melhores.

 

 

Dr. Fauze José Daher
Médico e Advogado.

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