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sábado, 12 de julho de 2014

Artigos

O JOGO DOS SETE ERROS

Analista avalia os equívocos da seleção brasileira de futebol
 
Buscar culpados e acusar inocentes, na maioria das vezes, encurta o raciocínio, elimina a reflexão e não nos permite analisar a história de maneira clara na tentativa de aprender com a experiência vivida. O título deste texto nos remete a uma brincadeira muito comum nas revistas de palavras cruzadas e consiste basicamente em olhar para duas imagens e tentar localizar sete diferenças. É o que iremos buscar, com um olhar comparativo, nos itens abaixo.
 
1. Se sentir superior
Achar que somos os melhores, que todos vão nos temer (que é diferente de respeitar) nos impede de analisar a nossa condição com realidade. O técnico da Argentina deu uma declaração importante na qual ele de maneira corajosa disse “ Nos Argentinos muitas vezes nos achamos superiores em tudo e não somos.”
 
2. Vontade acima de qualquer coisa
Querer ser campeão é diferente de trabalhar para ser campeão. O técnico Bernardinho nos ensina “A vontade de se preparar deve ser superior à vontade de vencer”.
 
3. Treinos abertos
Se na equipe brasileira foram quase nulos os treinos fechados à mídia e ao público de uma forma geral (os moradores da granja comary e os nossos adversários devem ter adorado) merece registro o relato do repórter de uma emissora de televisão que, responsável por acompanhar a seleção alemã, disse apenas ter sido autorizado a assistir a um treino afirmou que “os alemães são muito simpáticos nas horas de lazer e muito sérios na hora de trabalhar”.
 
4. Engessar a equipe
Em qualquer esporte, apostar em um único esquema e em uma única formação para conquistar um título facilita o trabalho de análise, treinamento e marcação da equipe adversária. Alemanha, Holanda e outras equipes neste mundial alternaram as suas formações e variaram o sistema de jogo.
 
5. Subestimar o adversário
Em esporte de alto nível não existe favoritismo, mão na taça, nem vitória conquistada por antecipação. A copa do mundo de 1950 já nos ensinou, basta ler o livro “Anatomia de uma Derrota” de Paulo Perdigão.
 
6. Jogar aberto
Jogar aberto, sem compactação, com jogadores distantes e dando espaço ao adversário, no futebol atual, é um suicídio. Assista a final do mundial entre Barcelona e Santos e verifque a marcação que o Barcelona fez. Da mesma forma, nesta copa, Portugal e Espanha que jogaram de forma franca, aberta contra Alemanha e Holanda, respectivamente, foram goleados.
 
7. Planejamento de longo prazo
Grandes projetos, como conquistar uma Copa do Mundo, necessitam de projetos de longo prazo. Que envolve categorias de base, manutenção de treinadores e filosofia de trabalho. O atual técnico da Alemanha está há oito anos no cargo, mesmo sem vencer. Alguma similaridade com a cultura brasileira?
 
Professor Rone Paiano, 
Possui graduação em Educação Física pela Universidade do ABC(1986) e mestrado em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie(1998). 

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