Ir para o conteúdo

segunda-feira, 04 de março de 2024

Artigos

O jardim da recriação em João

Já sabemos que o evangelho de João é diferenciado, e isso notamos também claramente na narração da paixão de Cristo, que hoje se nos apresenta.
Lembremos que foi num jardim que o ser humano, lá colocado para ser feliz, caiu sob a tentação de ser igual a Deus. “Expulso do paraíso”, ou seja, a humanidade perdeu o contato com seu Criador, estando destinado a se perder para sempre, não fosse a misericórdia e o amor infinito de Deus, que lhe prometeu o resgate.
Na plenitude dos tempos, enviou seu Filho amado, com a missão de resgatar o ser humano desse sequestro realizado pelo Mal. Depois de, em sua vida pública, anunciar esta Boa Notícia = Evangelho, chegou o momento de ser glorificado por esse heroísmo ao se entregar por nós à glória da Cruz, como se expressa o evangelista.
Ele vai restaurar a criação do Deus Uno-Trino. Depois de instituir a Eucaristia, ele vai, com os discípulos, para um jardim, lugar também conhecido por Judas, que simboliza o Mal com sua traição. Neste novo Jardim começa a restauração prometida. É nesse momento que ele se entrega, livremente, majestosamente: a quem procurais? – SOU EU.
Executado na cruz, seu corpo dali é retirado por discípulos e sua mãe, e depositado em uma jazida “nova” – afinal, Jesus está tudo renovando -, em um jardim ali próximo.
Ao surgir vitorioso do túmulo, vivo, ressuscitado, é nesse jardim que aparece a Madalena, a primeira apóstola por ter sido enviada pelo próprio Jesus a anunciar essa vitória aos seus discípulos. Tudo é recriado, a dignidade do ser humano se restaura pelo Homem-Deus, que o resgata para o Pai.
As portas do “Jardim de Delícias” – aquele Éden do Gênesis – estão novamente abertas para todos aqueles que nele crerem e o seguirem. Em seguida, ele vai preparar muitas moradas na casa do Pai, para buscar e levar para elas todos os seus seguidores, uma vez que ele é o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14).
Os jardins celestiais são incomparáveis com os que conhecemos. Nem conseguimos imaginar as maravilhas que Deus tem preparado para aqueles que o amam (1Cor 2).

 

(Por: Diácono Lombardi)

Compartilhe: