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quarta-feira, 02 de abril de 2014

Artigos

O HOMEM E O MUNDO EM MUDANÇAS

Vivemos em um mundo em mudanças. 
Mudanças rápidas, radicais, extensas e intensas. 
Mudanças frutos da inteligência humana, de suas atividades criadoras, que vão forjando um novo modo pensar, de agir e de julgar. Há uma verdadeira revolução cultural. Quase incontrolável. Nunca o homem possuiu tanto, tantas possibilidades, tantas riquezas e nunca houve tanta miséria, tanta fome, tanta desigualdade. 
É um mundo em mudanças, um mundo de contrastes. 
O homem de hoje sente bem o que é liberdade criada por ele mesmo, mas, nunca houve tanta desigualdade, ameaçando e manchando os feitos e suas conquistas em favor da liberdade.  
Homens de hoje que desfrutam uma vida faustosa, à custa da exploração, da corrupção e do comércio de drogas. 
Para construir sua vida, constrói um mundo de vícios, de miséria e de dor. 
Os homens de hoje sabem bem da grande dependência que há entre si; sabem que devem viver solidários, mas, o que vemos são os homens separados por constantes e cada vez mais intensas lutas, políticas, religiosas e econômicas. 
 No desejo de construir um mundo material, mais rico, mais perfeito, o homem se esquece do próprio homem. 
É o espírito que agoniza e se o homem vier a perder o espírito, perderá tudo. Sem a primazia do espírito não haverá homem, porque a idéia nasce do espírito e a civilização se organiza pela mão do homem e a sua construção prossegue através dos tempos.  
 È o espírito que concebe a beleza; que no mármore torna-se uma arte; que as cordas cantam e que as cores se harmonizam. 
Através do espírito os homens encontram-se e desse encontro nasce o amor e os homens se unem e a humanidade cresce e quando o espírito se deteriora a humanidade corre perigo. 
Nunca humanidade dispôs de tantas riquezas, de tantos conhecimentos e possibilidades e poder econômico, mas enquanto procuramos nos organizar do modo mais perfeito sob o ponto de vista material, o nosso crescimento espiritual não acompanha e somos incapazes de discernir os valores e ideais perenes, trazendo-nos angústia e inquietação.  
Toda formação humana deve admitir normas e regras e são essas, que muitas vezes constrangem de certa forma a “liberdade”, mas garantem a liberdade no seu sentido justo que é a realização de si mesmo. As leis e normas foram criadas não para constranger o homem, mas para lhe garantir o desenvolvimento harmonioso e o seu destino final. 
A ausência de um ideal é responsável pela despersonalização progressiva do homem. Um rio tem posição geográfica marcada e deixando o leito alarga-se totalmente sem proveito. Quanto mais definido o ideal mais se acentua a renúncia: mais forte se torna a ação de cada um de nós e este é dever de cada um de nós – a contribuição para o bem geral. 
Quando abraçarmos um ideal temos que ter: força e sabedoria. Cada homem, uma vez nascido, é insubstituível. É o ideal que impulsiona o seu crescimento, pois quem passa pela vida sem saber quem é, o que deve fazer ou para onde vai, não cresce, e não torna-se um homem na verdadeira acepção da palavra. A luta por um ideal transforma os espinhos da vida em rosas, os sofrimentos em esperança e faz da vida um caminho alegre e digna de ser vivida. 
Há homens que passam pela vida desculpando-se ou culpando outros, pois o difícil é olhar para dentro de si mesmo, corajosamente, separando as qualidades e defeitos e de uma forma sincera, definir e lutar por aquilo que escolheu e acredita ser verdade, o seu ideal. 
O verdadeiro homem, aquele que acredita em seus ideais e que fizeram sua opção, luta por ela e muitas vezes morrem por ela. Vários homens, na luta pelos seus ideais deixaram para a humanidade um verdadeiro exemplo de VIDA, cito aqui Mandela e Luther  King, que dedicaram em toda suas existências a luta por seus ideais.   
Os falso ideal desarmoniza o homem pois passa a procurar um bem parcial  que não pode saciar sua tendência instintiva para o bem total. Ao contrário, o ideal nobre dá unidade, harmonia, vigor e plenitude à sua vida. O ideal nobre sempre terá em si a esperança e portanto, o vigor e a paciência para a luta. 
O verdadeiro ideal traz felicidade, pois justifica a nossa luta pela felicidade verdadeira que é SER e NÃO TER. Nós não temos felicidade, nós somos felizes. Felicidade é uma maneira de ser, de viver, que se consegue, quando se tem um ideal de real valor e se propõe a atingi-lo. 
O homem é uma unidade inconfundível e o seu modo de ser e de sentir também é único. Uma mesma ação pode ter sentido diferente, como por exemplo: três homens quebravam pedras em uma pedreira e perguntando ao primeiro, que está fazendo, este respondeu; não vê, estou quebrando pedras; ao segundo, que está fazendo, estou ganhando o pão de cada dia e ao terceiro, a mesma pergunta, estou construindo uma represa. E nós, homens, que estamos fazendo? Podemos perguntar e eles podem responder: 
– estou sentado – não está vendo. 
– estou escutando e pensando. 
– estou a procura de algo para guiar-me na vida. 
Bem, se estivermos à procura de um ideal para dar sentido às nossas vidas, devemos nos perguntar e responder com toda sinceridade: 
– como gasto meu tempo?
– como são minhas relações com minha família e amigos?
– para onde e para que o meu pensamento vai?
As respostas a estas perguntas irão mostrar os nossos ideais e os sentidos de nossas vidas.
 
Barretos, 31 de março de 2014
Prof. Espedito José Prudente de Oliveira

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