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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Artigos

O grito atual de Zumbi dos Palmares

Já estamos na segunda década do século 21 e a humanidade ainda convive com problemas absurdos que se arrastam desde os primórdios da civilização. Mesmo com a Declaração dos Direitos do Homem, subscrita pelas nações após a Segunda Guerra Mundial, ainda vicejam os preconceitos de raça, a intolerância religiosa, a violência contra mulheres e crianças.
Particularmente no Brasil, temos o grave problema da discriminação racial como um desses absurdos, apesar de o país ter como característica a miscigenação – como assinalava o sociólogo Darcy Ribeiro, no emblemático livro Teoria do Brasil.
São emblemáticos também os resultados do último Censo do IBGE. Os estudos revelam que dos 191 milhões de brasileiros, 97 milhões declararam ser pretos ou pardos; enquanto 82 milhões se consideram brancos; 2 milhões, amarelos; além de 817 mil indígenas.
Fato é que a questão racial brasileira não pode ser compreendida sem o contexto histórico. Sim, porque a economia do Brasil Colônia tinha como base o trabalho dos escravos comprados como mercadorias na África. Vergonhosamente, porém, o Brasil acabou sendo um dos últimos países do mundo a abolir a escravidão – a 13 de maio de 1888, com a assinatura da Lei Áurea. A data passou a ser reservada para discutir a igualdade racial.
Diante da reclamação de cientistas sociais, dos líderes comunitários e do movimento negro, o 13 de Maio deu lugar ao 20 de Novembro, data do assassinato do maior líder negro da história do Brasil: Zumbi dos Palmares. Símbolo da resistência do negro à escravidão, ele foi morto numa emboscada, próximo à divisa entre Alagoas e Pernambuco, em 1695.
Dos 5.564 municípios brasileiros, 757 – entre estes, São Paulo – adotaram o 20 de Novembro como o “Dia da Consciência Negra”, destinando o feriado para refletir e discutir a inserção do negro no mercado de trabalho ou se há discriminação por parte da polícia.
Na verdade, a igualdade racial e a valorização de todas as etnias devem ser reverenciadas no cotidiano, para banir de vez o preconceito e a intolerância de qualquer ordem. O grito de Zumbi dos Palmares não pode ser esquecido.
 
José Américo é vereador e presidente da Câmara Municipal de São Paulo.

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