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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

O Evangelho sempre convida a pessoa a se converter

Este episódio da vida de Jesus é emblemático, isto é, tem um significado que vai além do episódio, é como o símbolo de toda a existência terrena de Cristo. Assim São João interpretou no seu evangelho: “Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam (Jo 1,11). Nazaré é o povo hebreu (“sua pátria”), Nazaré é o mundo “ (Jo 1,10: “o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu”).

Diante deste fato nós nos perguntamos: “Por que “os seus” não o receberam? E, de maneira mais geral, porque um profeta não é acolhido em sua pátria?

A partir desse fato vemos que Jesus se apresentou na sua terra natal como um profeta. O profeta é alguém que traz desconforto, é alguém que obriga as pessoas a mudar o ritmo do seu passo para adotar o passo de Deus. O profeta é sempre novidade, a novidade de Deus, que exige mudança. A palavra que mais deve ter chocado os nazarenos foi: “Convertei-vos”, isto é, mudai de vida.

Reconheçamos que as pessoas não gostam de novidade. Diante da mudança muitos apelam para o passado, para a segurança de quem exclama: “Por que mudar? Sempre se fez assim?” Porque importa ser “assim!” Vivamos contentes, infelizes ou escravos; o ser humano se acostuma a ser infeliz e se habitua também à escravidão.

Após os longos séculos após o exílio, o povo hebreu tinha perdido a familiaridade com os profetas; em compensação havia se apegado sempre mais às instituições: os rabinos, os sacerdotes, a sinagoga, o sábado.

Mas não pensemos que autoridade e novidade se oponham. Não. A fidelidade à tradição é um valor, especialmente quando esta tradição está permeada de intervenções divinas. A fidelidade se torna um obstáculo quando ela se torna como “um véu” para cobrir a própria preguiça, quando é pretexto para não se colocar a caminho, aceitando o risco, o abandono e a disponibilidade própria da fé.

Esta palavra se atualiza para nós também; pois, a Igreja é hoje para Jesus os “seus”, a “sua pátria”, a “sua casa”. Somos obrigados a reconhecer que também entre nós Jesus não realiza muitos prodígios e que sua Palavra fica muitas vezes impedida de agir.

Se, à luz do Evangelho de hoje, nos perguntarmos o porquê, uma palavra salta logo à nossa vista: “Por falta de confiança” (Mt 13,58), ou seja, na preguiça, no apego teimoso a nossos hábitos e a seguranças totalmente materiais, que nos impedem de nos abrir de verdade com fé ao poder do Espírito de Deus, que faz sempre “coisas novas”; consiste em rejeitar a ideia de que também os bons cristãos, os perfeitos observadores da Lei (supondo-se que existam!), os “mestres em Israel”, podem ter necessidade de conversão radical e contínua.

É preciso que sejamos suficientemente sinceros para culpar isso ou aquilo, para desculpar a nossa incredulidade. Que tenhamos a coragem de acolher a novidade do Evangelho que sempre nos convida à conversão, à mudança dos nossos hábitos e à renovação da nossa vida.

(Por: Dom Milton Kenan Jr)

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