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segunda-feira, 20 de maio de 2024

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O Eterno Conflito de Narrativas

Existe uma conhecida frase atribuída ao famoso escritor George Orwell, autor do livro “1984”, que diz que “A história é escrita pelos vencedores”. Não raro, esse recurso foi usado por muitos que, independentemente da realidade e verdade dos fatos, quiseram escrever e reescrever a história como bem queriam e imaginavam, culpando seus desafetos e se colocando como vítimas para justificar as atrocidades cometidas, muitas vezes, por eles mesmos.
Joseph Goebbels, ministro de propaganda de Adolf Hitler na Alemanha, cunhou uma frase que entrou para a história. Segundo Goebbels, “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, e essa tática tem sido usada por muitos com o propósito de desinformar e dominar através da mentira. Como exemplo claro, impossível não vir à mente o grande incêndio de Roma, no ano 64 d.C., causado pelo próprio Imperador, Nero, para culpar os cristãos do primeiro século da era cristã, que Nero considerava como seus inimigos, segundo alguns historiadores cristãos e romanos, como Tácito e Suetônio.
No caso do incêndio de Roma, o suposto ardil de Nero foi confrontado e derrotado pela verdade, e a História mostrou que, mesmo que alguém tente reescrevê-la segundo sua própria vontade, em algum momento a verdade surgirá para mostrar e reestabelecer a realidade dos fatos, pelo menos para aqueles que estiverem atentos e sensíveis para essa verdade, e para quem não esteja acomodado e sendo beneficiado pela mentira contada, pela história e realidade reescritas, segundo a mente corrupta e maléfica de alguns.
Infelizmente, o recurso de reescrever a história segundo sua própria vontade tem uma enorme eficácia, e ainda é largamente usado em nossos dias. No Brasil, a “história” reescrita através da mentira tem prevalecido, e se encontra na cabeça de muitos brasileiros inocentes que tem a mentira como a verdade absoluta, tem a realidade pervertida e reinventada como a verdadeira realidade do mundo, sem saberem que foram enredados em uma história muito bem planejada e contada por aqueles que “tomaram o poder”, tomaram os meios de produção intelectual e, literalmente, reescreveram a história como bem queriam, se colocando como vítimas, mesmo sendo eles os maiores carrascos da história desse país.
Se existe uma mentira contada que é tomada como “verdade”, existe uma verdade que está sendo enxotada da realidade, e que é tomada por “mentira” por aqueles que querem continuar no poder pela história reescrita, pela “verdade” forjada… “Ai daqueles que tornam a Verdade em mentira”, já alertava o apóstolo Paulo.
Como uma luz que insiste em sair para fora do alqueire que a sufoca, a verdade histórica insistentemente teima em querer vir à tona, para horror daqueles que a querem sufocar. Assim, a verdade sempre ameaça a história contada pelos “vencedores”. Aos poucos, a verdade acaba sempre surgindo, de maneira a confrontar a cosmovisão inventada, a verdade forjada.
Nesse conflito de narrativas, que tende a aumentar cada vez mais, a população inocente e, sem o conhecimento necessário, se vê em meio a um fogo cruzado, sem saber em quem acreditar e, por não fazer o mínimo esforço para tentarem entender o que está acontecendo ao nosso redor, se aderem a ideologias, e a qualquer “história da carochinha” que lhe são contadas, abrindo mão de conhecer a verdade que tem se mostrado e gritado a plenos pulmões, buscando alguém que lhe dê a devida atenção.
Em meio a todo esse conflito, em meio de um turbilhão de narrativas, em meio a esse fogo cruzado, onde mentiras são disparadas e usadas como armas, o único meio de nos guiarmos e nos protegermos é buscando o máximo de conhecimento possível sobre a realidade que nos cerca. Nesse conflito entre a verdade e aqueles que querem reescrever a história através da mentira, segundo a sua vontade, espero que cada um de nós tome partido da verdade e que lutemos por ela, para que ela prevaleça, por que, mesmo que os vencedores maus reescrevam a história a seu favor, a história nos mostra que, no fim, a verdade vai prevalecer. A nós, cabe saber em qual lado estamos, e em qual lado estaremos quando o conflito terminar, se queremos que a Verdade prevaleça, mesmo que nos doa e nos machuque, ou se queremos continuar acomodados numa rede de mentiras que nos levará para o abismo.
Que venhamos confrontar as informações e as narrativas que chegam até nós, julgando cada uma com imparcialidade, pesando-as com justiça e honestidade intelectual, não nos deixando guiar por nosso egocentrismo nem por cegas paixões ideológicas, buscando chegar a real verdade dos fatos, em um mundo onde as “fake news” viraram rotina.

 

 

Wanderson R. Monteiro
Dr. hc. em Literatura e Dr. hc. em Jornalismo.
Bacharel em Teologia, graduando em Pedagogia.

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