Ir para o conteúdo

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

O “encantamento” técnico e econômico do IRCAD contrastando com as péssimas condições de postos de saúde e Santa Casa

O IRCAD é um recurso de origem e interesse econômico francês que foi trazido para treinamento de cirurgiões em área cirúrgica moderna do tipo videolaparoscopia e robótica. Curso de altíssimo custo ao profissional que se apresenta, ministrado por cirurgiões de alto gabarito e fazendo vitrine de equipamento de primeiríssima linha.
Não por acaso, torna-se uma demonstração prática dos equipamentos que serão vendidos aos clientes, então, “formatados” para o seu uso. Até aqui, tudo bem explicado.
A outra questão envolvida são os pacientes submetidos a essas operações, os quais se constituem no objeto de tratamento sendo evidentemente um mote necessário, sem o qual não há como se demonstrar e treinar o procedimento.
A exigência ética do modelo fica preservada, porque todo o procedimento necessariamente exige a presença de um Mestre Cirurgião no comando do processo de ensino/aprendizagem das técnicas utilizadas.
O lado crítico da questão é que toda uma massa populacional tem sido atendida de forma cada vez mais precária seja nos postos de saúde e, principalmente, na Santa Casa que é o seu único hospital geral público da cidade.
O nível de degradação do padrão de atendimento é chocante diante do patamar de riqueza do IRCAD, cujo volume de atendimento, contudo, é irrisório diante da demanda da Santa Casa. Um corpo clínico totalmente desprovido de profissionais preparados, especialistas ou experientes, salvo uma ou outra área de atuação.
Impressiona a coragem do gestor eo gerenciar um sistema de claro interesse comercial envolvendo saúde, como é o IRCAD, mantendo, ao mesmo tempo, um péssimo gabarito de atendimento na Santa Casa, sendo atualmente refugada pelos pacientes já conscientes disso e percebida a todo instante pelos que a utilizam.
O que se torna absurdo autoridades serem recebidas no IRCAD, caso de Ministros de Governo como o da Saúde, o da Ciência e Tecnologia, usando o SEBRAE como propagador de modelo referencial de fazer saúde render “notas fiscais” lucrativas.
“Esquecem-se” de levar as autoridades até a Santa Casa e aos balcões de atendimento público e mostrar uma triste realidade para as quais são sonegadas aplicações dos ricos recursos fomentados por Governos Federal, Estadual e Municipal.
Barretos agora tem uma “bolha de saúde” que parece de “primeiro mundo” como diz o gestor mandante na saúde de Barretos, em flagrante demagogia que ainda engana o barretense ou quem vem de longe e imaginam o padrão do IRCAD projetado para as demais áreas do município, o que não acontece.
Ainda há casos de pacientes vindo de longe, atraídos por algum profissional cirurgião gabaritado e não aceitam serem operados numa estrutura que assusta como é a atual Santa Casa.
No eixo dessa questão está o dinheiro, fartamente arrecadado por diversas fontes, grande parte oficiais, e o mesmo dinheiro sonegado à aplicação do socorro, atendimento e qualidade mínima destinado à grande massa mais carente da população.
A expectativa negativa é a de esperar quanto tempo mais (5 anos já se foram) vai imperar a irresponsabilidade das autoridades, de Prefeito, Vereadores, Promotores, Defensoria diante de situação próxima da condição policialesca como são vidas perdidas inesperadamente em rotinas cirúrgicas elementares ou em situações clínicas mal conduzidas.
Se a inércia insensível permanece, o grito de alerta não pode calar.

 

 

Dr. Fauze José Daher
Gastro Cirurgião ex-Diretor
Clínico da S Casa Ex-Presidente
da Associação Paulista de Medicina
Reg. Barretos Advogado

Compartilhe: