terça-feira, 20 de outubro de 2020

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O dom de sermos testemunhas de Jesus Cristo

Estamos vivendo o tempo quaresmal e somos convidados, com maior intensidade, a fazer uma revisão sobre a condução das nossas vidas. Somos convidados a olhar para o interior do coração e perceber em que estamos colocando a esperança e para onde estamos conduzindo a vida de fato.
Muitos aspectos devem ser considerados nesta avaliação, mas diante a realidade em que vivemos, consideremos a questão do testemunho, ou seja, o modo em que estamos concretizando aquilo que recebemos, rezamos, escutamos e comungamos pela fé. Será que nos esforçamos realmente para viver os mandamentos e virtudes pregados por Jesus Cristo? Será que tentamos responder aos chamados que o Senhor nos faz para uma vida mais simples e próxima da realidade tão necessitada de auxílio? Quanto estamos dispostos a desgastarmo-nos para assumir concretamente a missão de discípulos de Cristo?
Perguntas diretas mas de respostas complexas, pois respondê-las positivamente a cada dia não é uma tarefa fácil, a medida que muitas outras coisas ganham prioridade nas nossas agendas. Muitas vezes, quando saímos da Missa aos domingos, alimentados pela Palavra de Deus e o Pão do Céu, assumimos o propósito de mudar algo em nossas vidas, mas ao retomarmos as atividades diárias na segunda-feira esse propósito vai sendo esquecido à medida que somos tomados por tantas outras coisas que precisamos fazer. Mas para que isso não aconteça, as palavras do Papa Francisco nos são um importante alerta: “Neste mundo, marcado pelo egoísmo e pela avidez, a luz de Deus está ofuscada pelas preocupações do cotidiano. Dizemos com frequência: não tenho tempo para rezar, não sou capaz de realizar um serviço na paróquia, de responder aos pedidos dos outros… Mas não devemos nos esquecer que o Batismo que recebemos faz de nós testemunhas, não pela nossa capacidade, mas pelo dom do Espírito”.
Dada a realidade, vamos nos esquivando de testemunhar a alegria, o amor, a misericórdia, a esperança que jorra do Coração de Jesus. Vamos assim fazendo da nossa vida um belo jardim de flores artificiais, pois apresentam beleza, mas não são capazes de se renovar e proporcionar novas cores e combinações, não são capazes de absorver água para a renovação como as flores naturais e em nós essa água que confere vida e transformação é o Senhor.
Que o Senhor nos ajude a enxergarmos a necessidade e a beleza de sermos suas testemunhas nesse mundo tão sedento da sua viva presença como nos lembra o Santo Padre: “Sermos testemunhas é um dom que não merecemos: nos sentimos inadequados, mas não podemos nos furtar com a desculpa da nossa incapacidade”.

Matheus Flavio da Silva
Seminarista

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