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O Dia dos Namorados: Tempos atuais
O Dia dos Namorados chegou. As comemorações, as redes sociais e as vitrines exalam romance, união e felicidade entre os casais.
O comércio se movimenta em torno de uma data que se tornou tendência, principalmente entre o público jovem.
As redes sociais transformaram-se em retratos digitais de relacionamentos, pedidos de namoro e até pedidos de casamento.
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman argumenta que a sociedade contemporânea é marcada pela modernidade líquida, caracterizada por relações passageiras e descartáveis. Esse fenômeno é refletido no aumento dos divórcios, separações, episódios de violência e relacionamentos efêmeros.
Os conceitos de fragilidade e instabilidade passaram a prevalecer em uma sociedade líquida, na qual o amor, muitas vezes vivido de forma intensa e imediata, tornou-se mais vulnerável.
Bauman, em seu livro Amor Líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos, apresenta uma análise clássica sobre como os relacionamentos na sociedade contemporânea se tornaram mais instáveis e superficiais.
O sociólogo faz uma crítica às promessas do “felizes para sempre” e do amor “na saúde e na doença”, conceitos que contrastam com muitos aspectos da realidade atual.
Os relacionamentos abusivos e os casos de violência continuam recorrentes, tendo as mulheres como principais vítimas, e muitas histórias acabam sendo interrompidas de forma trágica.
Em um dia dedicado à celebração do amor, não podemos deixar de lado uma realidade tão frequente e preocupante em nossa sociedade.
É uma data de felicidade para muitos, mas também de saudade para familiares que perderam seus maiores tesouros. Por isso, são fundamentais ações em defesa da vulnerabilidade feminina, além de sensibilidade e conscientização diante dos desafios que persistem mesmo em tempos modernos.
Natália Macedo
Poetisa e professora