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terça-feira, 16 de abril de 2024

Artigos

O DESAFIO DOS JOVENS

No começo de agosto, foi realizada em Lisboa mais uma Jornada Mundial da Juventude, muito criticada por conservadores católicos que continuam em guerra aberta contra o pontificado do Papa Francisco, muitos deles fazendo crescer um movimento sedevacantista, que não aceita a nova evangelização vinda do Concílio Vaticano II. Em meio a tantas tensões internas dentro da Igreja, o Papa Francisco continua ativo, apesar de sua idade, e trabalhando incansavelmente, todos os dias, desde quando foi eleito, há dez anos. Uma série de reformas têm sido feitas no sentido de tornar a Igreja mais entranhada na realidade e capaz de enfrentar os desafios do nosso tempo, com o realismo característico do cristianismo, que atravessou vinte e um séculos. A maior parte dos jovens se sentem desorientados, mas muitos buscam aqueles princípios e valores que a fé cristã sempre defendeu.
O papa S. João Paulo II entendeu a importância dos jovens, quando criou a Jornada Mundial da Juventude, que se tornou logo um sucesso, em todos os países em que foi realizada, inclusive no Brasil. É a forma de o papa ir ao encontro dos jovens – e como tem feito o Papa Francisco – ouvi-los em suas angústias e necessidades, em seus sonhos e aspirações, em seus dilemas e apreensões, em suas necessidades do dia-a-dia e espirituais. Os jovens precisam ser ouvidos, para numa relação fraterna de diálogo, serem motivados a darem o melhor de si, com seus talentos, na busca de respostas aos desafios cada vez mais complexos do nosso tempo. Não só a Igreja, mas todas as instituições devem ter uma atenção especial aos jovens para que façam com que eles descubram o sentido da vida, a partir dos valores essenciais.
Numa sociedade tão dinâmica como a nossa, com tantos recursos disponíveis, que ampliaram as possibilidades de comunicação e interação entre as pessoas, é preciso que ouçamos os jovens, para entender como podemos ajudá-los a se sentirem dispostos a dar contribuições significativas. Sem esta escuta, diálogo e partilha, os jovens tendem a se recolher na solidão, se tornam indiferentes e ficam imobilizados, na depressão, e com medo do turbilhão de coisas à sua volta. É com essa disposição à escuta e ao diálogo, como propõe o Papa Francisco, é que eles se sentirão confiantes para melhor cumprir as tarefas de cada dia, e superar os tantos desafios, com amor cada vez maior à vida.

 

 

Valmor Bolan é Doutor em
Sociologia. Professor da
Unisa. Ex-reitor e Dirigente
(hoje membro honorário) do
Conselho de Reitores das
Universidades Brasileiras.

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