terça-feira, 20 de outubro de 2020

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O desafio do sentido da vida

Chegando ao nosso sétimo e último olhar sobre a compaixão, presente em um dos temas da Campanha da Fraternidade deste ano, que preza pela valorização da vida como um dom e o compromisso do cuidado, nos deteremos sobre o olhar do “Desafio do Sentido”.
Refletindo sobre a realidade do sentido da vida encontramos uma frase que destaca e evidencia essa questão profundamente: “Viver tecnicamente” é muito fácil pois hoje existem diversas facilidades. Viver “existencialmente” é muito difícil e desafiador, pois atualmente estamos sendo afetados pelo relativismo, a liquefação de valores e a lógica do descarte.
Esta realidade apresentada nos aponta para a resposta perene ao desafio do sentido para a vida. Estamos vivenciando o ápice das facilidades técnicas, gerenciadas por máquinas, computadores, dispositivos que facilitam o trabalho humano. Porém, acompanhando a crescente técnica, notamos também o crescimento do vazio e do abandono da valorização das pessoas, do cuidado, do compromisso e o respeito com a vida e a dignidade humana; estamos realmente vivendo a lógica do descarte. E ao olharmos para o sentido da vida somos chamados, a observarmos profundamente estas duas realidades apresentadas.
Observando estas realidades será possível concluir que o verdadeiro sentido para a vida está elencado no Amor, o amor que se traduz na capacidade de compadecer e cuidar, resgatando a total realidade de que vale a pena viver, vale a pena se doar, vale a pena cuidar e amar. Um mundo voltado “somente” para técnica, com toda certeza se transformara em um mundo desumano. Um mundo voltado para o amor, à caridade, à doação e à entrega se tornara um mundo mais humano. Eis a nossa missão: humanizar o mundo com os nossos dons.
Neste mundo tão acelerado, é preciso ter a coragem da fé que é capaz de parar, de interromper a rotina para cuidar, pois como nos recorda a Campanha da Fraternidade deste ano a nossa vida é essencialmente samaritana e a vida é um intercâmbio de cuidados e de encontro que transformam e fortalecem os vínculos fraternos. Que os sete olhares da compaixão nos ensinem esta realidade rumo a nossa humanização, principalmente neste triste momento de pandemia que estamos vivendo! Santa Dulce dos pobres, rogai a Deus por nós!

Daniel Canevarollo
Seminarista

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