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sábado, 27 de novembro de 2021

Artigos

O declínio dos clubes sociais e recreativos

 

 

 

 

Caros leitores,
Haja coração! Dois dos mais tradicionais e populares clubes sociais e recreativos da cidade, a UEC – União dos Empregados no Comércio e Jockey Club, outrora, em seus esplendores, foram pontos de encontros de pessoas ávidas de convívio social, e, durante décadas, principais espaços de lazer dos barretenses, hoje, acham-se em franco declínio. Cenário desolador!
Todavia, ao analisar os casos, é necessário contextualizar com as condições atuais de sustentabilidade dos clubes similares espalhados pelo Brasil. Após pesquisas em matérias publicadas em jornais, verificamos que a atual conjuntura não é privilégio de Barretos. Em depoimentos, há relatos congruentes, como: o envelhecimento do quadro associativo e herdeiros não interessados em frequentarem os clubes; a apatia dos jovens, apesar de várias ações para atraí-los; as más gestões; as transformações dos hábitos e costumes da sociedade, os avanços tecnológicos, o aumento de ofertas de lazer, como aberturas desenfreadas de academias e multiplicações de condomínios fechados, a partir dos anos 1980/1990, com quadras esportivas, salão de festas, academias de ginásticas, piscinas, tudo ao alcance das mãos, sem precisar se deslocar. Outro ponto importante observado está no fato de que, a maioria dos associados são remidos, soma-se a isso o alto custo de manutenção dos clubes, gerando déficit mensal, numa verdadeira bola de neve. Como saída, para amenizar, a maioria optou pelos aluguéis de seus espaços, para festas de casamento, aniversários, formaturas, além de terceirizar bailes, boates, quadras esportivas etc. Apesar dos esforços e sem perspectivas de solução, para não terem seus bens leiloados, preferiram vendê-los para pagamento de dívidas.
Em Barretos, as agremiações União e Jockey passaram pelos mesmos problemas e utilizaram o mesmo ‘modus operandi’. A centenária União, fundada a 10 de agosto de 1914, quando a cidade vivia significativo progresso, com a chegada dos trilhos da estrada de ferro (1909), energia elétrica (1911) e a Companhia Frigorífica e Pastoril (1913), a vinda de imigrantes de várias nacionalidades, bem como, pessoas de outras cidades, para o trabalho na indústria, no comércio, serviços gerais e, ainda, como profissionais liberais, dando um impulso ao comércio. Era primordial uma entidade que representasse a classe, e oferecesse lazer, esportes e cultura. Com o passar do tempo, o clube construiu sua sede central, na rua 20 e, na década de 1960, a de campo, na avenida 43, com campo de futebol e piscina e aos poucos foram acrescentados melhoramentos, inclusive a construção de amplo salão e administração. Em 2001, a sede central foi vendida.
O setentão Jockey Club inaugurado na efervescência do pós-guerra, a 15 de novembro de 1947, por admiradores do turfe, participou ativamente da vida comunitária barretense. Numa vasta área de 13 alqueires, no bairro que leva o seu nome, dispunha de uma imponente arquibancada, que em tempos áureos, destinava-se aos amantes das corridas de cavalos; ainda, o clube era dotado de espaçoso salão, piscinas, campo de futebol, quadra, sauna, salão de jogos, amplo estacionamento e um seringal, uma fonte de renda para o clube.
Hoje, ambos se encontram em processo de desmonte. A União se desfez do campo de futebol, quadras, vestiários e piscina, que darão lugar a um supermercado, restando apenas a sede social e administração, atualmente, desativadas; enquanto que, o Jockey, aos poucos dilapidou o seu patrimônio, com a venda de parte de sua área para loteamentos e, por fim, anunciada, recentemente, o encerramento de suas atividades com a venda da área remanescente, que inclui o salão (em ruínas), estacionamento, conjunto aquático e quadras, para um grupo empresarial, com projeto de construção de condomínio de prédios. Nos dois casos, o dinheiro tem caminho certo: quitação de dívidas.
Foram décadas de glória até sucumbirem ao tempo. O que resta é a lembrança das coisas boas, os namoros, os salões lotados, as boates, os grandes bailes, as orquestras, bandas, conjuntos, músicos, cantores e cantoras, que se apresentaram em seus palcos e os inesquecíveis carnavais, de rua ou de salão, para deleite dos foliões!

José Antonio Merenda
Historiador e membro da ABC – Academia Barretense de Cultura – Cadeira nº 29.

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