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domingo, 01 de novembro de 2015

Artigos

O CIRCO E O ILUSIONISTA

Bom Dia Barretos. 
Quem não tem saudades e guarda lembranças, dos circos de nossa infância. Só de ver os palhaços entrarem em cena, a plateia começava a rir. E realmente, era engraçado e divertido. Os anos foram se passando, os costumes mudando e os circos entraram em decadência. 
Mas, não sei se estou sonhando ou realmente estamos a assistir a volta do circo, só que agora, não o circo de nossas infâncias, mas o circo institucionalizado, onde os palhaços não estão mais no picadeiro, e sim na plateia. Agora, no palco predominam os ilusionistas. Antes não tirávamos os olhos da cartola do mágico, esperando que tirasse da mesma uma pombinha branca em vez do lenço que nela colocá-la. Hoje, os mágicos do circo institucionalizado são outros, enfiam a mão na cartola e dela retiram listas de dispensas de empregados, aumentando em cada um o medo de ser o próximo desempregado. 
No circo de antigamente, o mágico fazia aparecer uma moeda na orelha ou quando muito uma nota no bolso de alguém previamente escolhido na plateia. Os mágicos atuais acumularam milhões e milhões, quando não bilhões de dólares no exterior, fruto de furtos descarados e desavergonhados. E agora, num passe de mágica malandra, estão a comprar sua liberdade dedurando outros comparsas e devolvendo migalhas do que surrupiaram. Pronto, com a deduragem e com a devolução de migalhas ficam livres e limpos num passe de mágica perversa para a sociedade, mágica que nem os melhores mágicos de antigamente seriam capazes de imaginar.
Bem, o circo não pode parar e todos os dias tem que ter um novo espetáculo. Pelo visto, o próximo espetáculo será trazer de volta ao país, bilhões e bilhões de dólares, que estão lá fora, sem origem declarada, sem se saber como foi amealhado, não tendo pagado os impostos devidos, bastando, agora, recolher trinta por cento do valor repatriado para que, num novo passe de mágica, transforme esse dinheiro sem origem em dinheiro limpo. 
Todo dia presenciamos uma nova delação premiada e, com ela, um novo prêmio de liberdade prisional concedido, concorrendo com a mega sena na distribuição de benesses. Vocês se lembram dos atiradores de faca que se apresentavam nos circos? Vocês se lembram? De olhos vendados, iam atirando as facas contornando a cabeça e o corpo da secretária que era colocada em sua frente. Agora também, tal espetáculo está de volta. Só que cada faca atirada erra o alvo e abate uma empresa que já não aguenta mais pagar os impostos. Aquelas endividadas em dólares estão indo para o espaço e o cidadão que entrou em dívida bancária, coitado, não consegue nem respirar mais. O juro do cartão de credito atingiu o vergonhoso patamar de 414% ao ano. 
Enquanto isso, os chefes dos poderes Executivo e Legislativo se digladiam num verdadeiro pastelão, digno dos filmes do gordo e do magro. A delação premiada que deveria seu uma exceção, na busca de se desvendar um caso, virou rotina e a malandragem brasileira descobriu nela, a chave a destravar as portas da cadeia. Os malandros, um a um, vão fazendo sua delação, indo em seguida para o doce lar. Enquanto isso, o povo, ora o povo, o povo ficou relegado a um segundo plano, vendo seu salário engolido pela inflação, deixando, por falta de condições financeiras, de pagar seu plano de saúde, enquanto as portas do atendimento SUS ficam cada vez mais travadas por falta de médicos e insumos básicos. 
Água, luz, gás, combustível, continuam a subir em marcha acelerada enquanto o desespero já se faz presente em grande parcela da família brasileira. Chega de circo, chega de teatro, chega de disse que disse, chega de brigas partidárias, é hora de pensar na grande nação brasileira e em seus filhos desamparados e desesperados, porque ninguém vive só de ilusão.
 
BOM DIA   BARRETOS.   

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