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segunda-feira, 22 de abril de 2024

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O Ato Penitencial no contexto da celebração eucarística (parte II)

Confessar os próprios pecados. Recordo-me de uma história, narrada por um missionário idoso, de uma mulher que foi confessar-se e começou a falar dos erros do marido; depois, passou a contar os erros da sogra e em seguida os pecados dos vizinhos. A um certo ponto, o confessor disse-lhe: “Muito bem: acabou com os pecados dos outros. Agora comece a dizer os seus”. Dizer os próprios pecados!

Depois da confissão do pecado, suplicamos a Bem-Aventurada Virgem Maria, os Anjos e os Santos para que intercedam junto do Senhor por nós. Também nisto é preciosa a comunhão dos Santos: ou seja, a intercessão destes «amigos e modelos de vida» (Prefácio de 1º de novembro) sustém-nos no caminho rumo à plena comunhão com Deus, quando o pecado será aniquilado definitivamente.

Além do “Confesso”, podemos fazer o ato penitencial com outras fórmulas, por exemplo: «Piedade de nós, Senhor / Contra Vós pecamos. / Mostrai-nos, Senhor a vossa misericórdia. / E concedei-nos a vossa salvação» (cf. Sl 123,3; 85,8; Jr 14,20). Especialmente aos domingos podemos fazer a bênção e a aspersão da água em memória do Batismo (cf. OGMR, 51), que cancela todos os pecados. Como parte do ato penitencial, também é possível cantar o Kyrie eleison: com esta antiga expressão grega, aclamamos o Senhor — Kyrios — e imploramos a sua misericórdia (ibid., 52).

A Sagrada Escritura oferece-nos luminosos exemplos de figuras “penitentes” que, caindo em si mesmas depois de terem cometido o pecado, encontram a coragem de tirar a máscara e abrir-se à graça que renova o coração. Pensemos no rei David e nas palavras a ele atribuídas no Salmo: «Tende piedade de mim, Senhor, segundo a vossa bondade. E conforme a imensidade da vossa misericórdia, apagai a minha iniquidade» (51 [50],3). Pensemos no filho pródigo que regressa ao pai; ou na invocação do publicano: «Ó Deus, tende piedade de mim, que sou pecador!» (Lc 18,13). Pensemos inclusive em São Pedro, em Zaqueu, na samaritana. Medir-se com a fragilidade do barro com que somos amassados é uma experiência que nos fortalece: enquanto nos leva a nos confrontar com a nossa debilidade, abre-nos o coração para invocar a misericórdia divina que transforma e converte. E é isto que fazemos no ato penitencial, no início da Missa.

 

Por: Catequeses do Papa Francisco sobre a Eucaristia

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