terça-feira, 27 de outubro de 2020

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O amigo “Radinho”: uma perda comunitária e uma tristeza para muitos amigos…

Uma semana triste para nossa Barretos marcada pela morte inesperada de um grande amigo, e também querido por muitos outros.
Passou rápida uma convivência nossa nascida nos bancos escolares do curso primário da querida escola, o então, Grupo Escolar Prof. Fausto Lex.
A vida, nos levando pelos momentos seguintes da juventude, ficou marcada pelo futebol (amador e social) curtidos nos gramados do Grêmio Literário e da União dos Empregados no Comércio. Acabei experimentando o profissionalismo, enquanto meu amigo enveredou-se pelo futebol amador varzeano que soube valorizar como poucos.
Esse mesmo Radinho que pude acompanhar de perto até meus 17 anos, ficou meio distante pelas nossas metas da fase seguinte, mas que reencontramos, em nossas diferentes profissões, sem deixarmos de ter uma amizade sempre cultivada e que deixará recordações e saudades de verdade.
Amigo e companheiro de milhares de barretenses com sua marca registrada que foi a de ser um cidadão prestativo. Não havia problema do barretense que o abordasse, sem que de imediato buscasse conseguir ou ajudar a resolver.
Apelido forjado pelo costume de estar sempre colado à fonte tradicional de informações e notícias locais e nacionais: o rádio portátil. Ultimamente, com essa prática deixada para trás, mercê das diversas outras que ganharam facilidade e importância. Mas a marca ficou, sempre usada de forma respeitosa e carinhosa.
Há cidadãos que são notórios contribuintes sociais sem precisar ter função política. Esta aí um exemplo de quem dedicou toda a vida em prol do futebol amador varzeano de Barretos. Após ter sido um árbitro eficiente, passou a cuidar do Departamento de Arbitragem, por décadas e sempre com competência e dedicação.
Uma atividade espinhosa, mas que não conseguia ter alguém para substituí-lo exatamente porque o mesmo a exercia com amor, competência e com resultados sempre positivos para o interesse de todos os clubes e atletas.
Certamente, nosso grupo de café da manhã no Café Ivaí (assim sempre chamamos e chamaremos) sentiu essa aguda perda, como certamente outras rodas de amigos da sua rotina diária.
Costumava dizer, no proseio da “esquina”, questionando se todas as cidades têm uma pessoa como o nosso “Radinho”….No sentido do privilégio pelas suas qualidades e virtudes, deixando de lado o único “defeito” de ser um corintiano apaixonado. Acho que não. Seguramente, tivemos uma felicidade rara de podermos ter convivido com o Lourival, que é como, nos últimos anos, o vinha chamando.
Particularmente, sinto já e sentirei sempre a falta do gesto amigo, elegante e carinhoso de sempre me estar guardando um lugar para sentar à roda do primeiro café do dia.
Também ficando na minha memória, o peso de atendê-lo no primeiro momento da doença, constatando um mal não tão comum, mas que não dá chance ao paciente e a nenhum cirurgião diante do diagnóstico fatalista.
Foi embora o amigo sempre trabalhador que teve a graça de crescer com a vida e formar uma família admirável que inclui sua querida Carmela, meus colegas Caíto (o médico) e meu colega Glauco (o advogado).
Nossa Barretos está triste, de luto, restando-nos, aos milhares de amigos, companheiros e conhecidos, as devidas orações, e mantermos em nossa memória a sua imagem alegre, prestativa e atenciosa.
Que Deus o tenha!

Dr. Fauze José Daher
(e os amigos da Esquina)

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