Ir para o conteúdo

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Artigos

Novas estranhezas do Covid19 em Barretos: com ascensão da taxa de internações, Bebedouro definido como sede de atendimento e Santa Casa isolada até para receber os recursos

Novidades no enfrentamento do COVID em Barretos, sem devidas explicações da gravidade das falhas da fase passada, com péssimo resultado final apesar do recebimento de volumosos recursos cuja destinação não ficou esclarecida.
E acrescentando agora medidas, que beiram ao absurdo, com a passividade, lassidão e beneplácito das instâncias fiscalizadoras.
Vamos lá:
O hospital sede do atendimento COVID19 passa a ser o Hospital Estadual de Bebedouro e não mais a Santa Casa de Barretos, nem o Hospital Nossa Senhora: lembrando, aqui, que o recurso que vinha para o Nossa Senhora, passa agora a ser para o Estadual de Bebedouro, que são ambos explorados pela Fundação Pio XII.
E, com certeza, se fosse algum de Barretos, certamente, não seria a Santa Casa, num verdadeiro paradoxo de preferir colocar dinheiro público em instituição que não é pública. Isso, no âmbito da Administração Pública, soa muito mal, à máxima mandatária que é a Prefeita…se é ela que realmente manda.
Dessa feita, amplia-se um “grande negócio” que tem sido a saúde de Barretos, monopolizada pela Fundação Pio XII, em que a qualidade da proteção aos usuários da Santa Casa, fora e dentro do período do COVID, têm sido dos piores no Estado de São Paulo.
A séria (e grave pergunta): por que o dinheiro (que vem no formato administrativo de “aluguel”) ao invés de cair nos cofres da Santa Casa, que é municipalizada, vai (como aluguel) para os cofres da entidade particular, fundacional e familiar que administra esse sério problema sanitário, cada vez mais visto como “negócio”, não só por esses como por outros detalhes envolvidos.
A frieza, tão travestida de medida humanitária da entidade de Câncer, não se preocupa ao fazer com que familiares de barretenses terem de se deslocar para Bebedouro no caso da aflição de ser acometido pelo COVID19?
Não para aí. A Santa Casa, que há tempos anda esvaziada do atendimento digno ao público barretense, funcionando apenas como uma escola e usando os pacientes como “bonecos vivos de ensino”, continua agora sem poder atuar no COVID, socorrendo os filhos da terra, perdendo o recurso financeiro para uma fundação particular, explorando a atividade longe e impondo sacrifício ao barretense.
Mais ainda: a UPA cujo atendimento vem sendo deteriorado desde a gestão passada merecia um gabarito de atendimento digno do direito da grande população e da medicina moderna ora possível de ser aplicada. Abre-se uma licitação. Quem vence? Qualquer uma que seja de boa qualidade, e que esteja fora do monopólio evidente nas mãos da Fundação Pio XII. Será que isso acontecerá? Vale aguardar.
Mais do que a crítica ao que vem acontecendo na saúde pública de Barretos, há o dever de apontar soluções, que estejam polarizadas ao benefício da população mais carente.
Se a Fundação Pio XII recebe uma verdadeira fortuna de doações anônimas, de municípios espalhados pelo Brasil todo, e da “magia” de fazer com que 100 % de faturamento SUS, sempre crescido ao modo de uma bola de neve, melhore ainda mais em cima dos valores SUS para oncologia (que são altamente “generosos”), vem uma pergunta clara e objetiva: por que é que sua administração não constrói um Hospital Universitário, agregado à sua faculdade de medicina (que é particular e também altamente rentável)?
Aí sim, a Prefeitura de Barretos poderia assumir algo que legalmente é seu (a Santa Casa), estabelecer uma gestão hospitalar moderna, com qualidade de pessoal especializado a cuidar dos pacientes (e verdadeiros donos) da entidade, sem prejuízo de terem os resultados degradados de atendimento que se verifica nos dias de hoje.
De um lado, o empreendedor do negócio saúde teria sob sua responsabilidade a obrigação de ter o hospital escola, sem sacrificar a população como “massa” de aprendizado sem decisões de mestres, especialistas e experimentados profissionais.
De outro, uma Prefeitura cumprindo seu dever mais sagrado dentre outros, que é a saúde da população, sem submeter-se a interesses outros que não estejam preocupados com o mínimo bem estar do cidadão comum.
E a Prefeitura pode fazer isso num estalido de dedos, mercê de sua autonomia sobre qualquer contrato bilateral, mormente, se o contrato tenha feições leoninas como foi o prazo de 30 anos, com um estranho aval do Ministério Público.
Por fim, vale estar atento e acompanhar as novas remessas de dinheiro para o inacabado combate ao COVID19, que tem acontecido de forma desconhecida pela população em geral.
Entre perguntas e dúvidas, faça um teste de visitar a Santa Casa de Barretos, que hoje é “hermeticamente” fechada às visitas de qualquer natureza, inclusive de médicos interessados em ver e acompanhar seus amigos internados.
Numa comparação interessante, hoje é possível se visitar grandes hospitais americanos ou da capital paulista, meramente, com sua identificação natural e obrigatória. Experimente fazer isso em nossa Santa Casa…
É o que há para o momento, carecendo devidas prestações contas.
E alertando aos Srs. Vereadores para que “acordem” antes que mergulhem juntos numa profunda improbidade administrativa

 

Dr. Fauze José Daher
Médico Cirurgião e ex
Diretor Clínico da Santa
Casa de Barretos Advogado

Compartilhe: