quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Artigos

Nossa casa comum

Recentemente, completou-se um ano do rompimento da barragem de rejeitos de minérios em Brumadinho que ceifou tragicamente a vida de 272 pessoas e destruiu aquela região. Esse ocorrido chamou a atenção para diversos aspectos como social, econômico, legal, humano e também fez mais um alerta para o cuidado com o ambiente natural em que vivemos.
Na atualidade, vê-se muitas notícias a respeito da preservação do meio ambiente. Fala-se muito da devastação das florestas, poluição dos rios, contaminação do solo, da água, do ar, mudanças de temperatura e estações de chuva, entre outros problemas. Mas será que estamos realmente preocupados com as consequências das nossas atividades sobre o meio ambiente buscando fazer a nossa parte nessa tarefa ou apenas sentimos uma indignação passageira? Para esse tema, muitas vezes, transferimos toda a responsabilidade de se buscar alternativas para os governantes e autoridades da nossa sociedade, mas será que cada um de nós não é responsável por fazer algo também?
A responsabilidades dos poderes públicos e de cada um sobre a preservação do meio ambiente é bem definida no Artigo 225 da Constituição Federal de 1988: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. E nesse artigo o meio ambiente é colocado como “bem de uso comum do povo”, assim como a Igreja ao conferir destaque as questões ambientais nos últimos anos, tem falado do meio ambiente como “casa comum”, ou seja, é para o uso e cuidado de todos.
A Santa Sé publicou, em 2015, a carta encíclica Laudato Si do Papa Francisco sobre o cuidado com a casa comum e o apelo do pontífice deve ecoar no coração e nas atitudes de cada um de nós: “Lanço um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental, que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós. O movimento ecológico mundial já percorreu um longo e rico caminho, tendo gerado numerosas agregações de cidadãos que ajudaram na consciencialização. Infelizmente, muitos esforços na busca de soluções concretas para a crise ambiental acabam, com frequência, frustrados não só pela recusa dos poderosos, mas também pelo desinteresse dos outros. As atitudes que dificultam os caminhos de solução, mesmo entre os crentes, vão da negação do problema à indiferença, à resignação acomodada ou à confiança cega nas soluções técnicas. Precisamos de nova solidariedade universal. Como disseram os bispos da África do Sul, ‘são necessários os talentos e o envolvimento de todos para reparar o dano causado pelos humanos sobre a criação de Deus’. Todos podemos colaborar, como instrumentos de Deus, no cuidado da criação, cada um a partir da sua cultura, experiência, iniciativas e capacidades”.

Matheus Flavio da Silva
Seminarista

Compartilhe: