Ir para o conteúdo

segunda-feira, 24 de junho de 2024

Artigos

Nidoval Reis – o centenário do poeta

Caros leitores,
Nidoval Reis completaria hoje, se estivesse vivo, cem anos, o grande ícone da poesia brasileira contemporânea, nascido nesta Chão Preto, no distrito de Laranjeiras, a 21 de dezembro de 1922, na época pertencente a Barretos, porém, hoje é integrante do município de Colômbia.
Conhecer a sua história é motivo de estímulo. Ele foi jornalista e poeta. Filho de José da Silva Reis e Risoleta da Silva Reis. Casou-se, em Bauru, com Hilda Osana de Oliveira Reis. Entretanto, no início de sua juventude foi acometido por uma tuberculose, obrigando-o, durante cinco longos anos, a submeter-se a tratamento em sanatórios de São José dos Campos, Campos do Jordão e Divinolândia, deixando sequelas pelo resto de sua vida.
Como jornalista profissional, foi repórter no jornal ‘A Noite’, de São Paulo, levado por seu amigo e grande poeta brasileiro Guilherme de Almeida. Colaborou com as revistas: ‘Vida Doméstica’, ‘Fon-Fon’, ‘O Malho’ e ‘A Careta’, do Rio de Janeiro; ‘Alterosas’, de Belo Horizonte; ‘Vida Capixaba’, do Espírito Santo; e, também, com os jornais: ‘Diário de Notícias’, do Rio de Janeiro; ‘Diário de São Paulo’, ‘Correio Paulistano’ e “A Gazeta”, de São Paulo; ‘O Liberal’, de Americana; ‘Correio de Barretos’ e ‘Nosso Jornal’, de Barretos; e tantos outros. Além disso, foi diretor da Rádio Clube de Americana. Transferiu residência para Bauru, SP. onde foi redator de diversos jornais daquela cidade, bem como Diretor de Relações Públicas da TV Bauru e apresentando, sob sua direção, o programa “Hora da Seresta”.
Sua vida foi dedicada à poesia, tornando-se famoso no Brasil e, no exterior, ao vencer o Concurso de Poesia, realizado em Portugal, para a escolha de um poema sobre a morte, para figurar no portão de entrada do Cemitério de Coimbra. Lá estão gravados os seguintes versos: “Ballet sem coreografia,/macabra dança do fim,/buscando pontos difusos,/a Morte será assim:/Oscilações no infinito,/sem raio loiro do sol,/sem faixa de prata Lua,/sem timoneiro de escol,/Sem ampulhetas, sem ritos,/sem cruzeiros infinitos,/sem aspirações reais,/apenas o Nunca Mais,/Ballet sem coreografia,/macabra dança do fim,/a Morte será assim”. Este poema foi datilografado a 2 de dezembro de 1975, em sua residência em Bauru e entregue com dedicatória a Jota Carvalho, seu amigo, hoje acadêmico da ABC, o qual o declama brilhantemente nas reuniões e saraus da Academia.
Nidoval escreveu ainda, diversos livros, tais como: ‘Sob a sombra da desgraça’, retratando as emoções e aflições da tuberculose, escrito ainda no sanatório, publicado em 1951; depois vieram outras obras: ‘Um pouco além do mundo’ (1955); ‘Quinze poemas e um soneto para minha mãe’ (1965); ‘Chuva Miúda’ – trovas (1968); ‘Calendário de Trovas’ (1982) e ‘Calendário de Poemas’ (1983); ‘Em um pouco além do mundo’, de 1955, encontra-se o poema ‘Minha Terra’, de exaltação a Barretos, sua terra natal. Eis os versos: “Primeiro,/houve a floresta e, nas clareiras,/a taba do valente guarani./Ao longe, o marulhar das cachoeiras/e o canto singular da juriti./Depois, veio o caboclo e, das palmeiras/esbeltas que se erguiam aqui e ali,/tirou vigas, esteios, cumeeiras/plantando esta cidade onde nasci./E, agora, quem a vê na sinfonia do labor incessante, dia a dia,/crescendo mais e mais, sempre altaneira,/bendiz minha Barretos bandeirante, /que soube, em seu orgulho edificante,/honrar a grande pátria Brasileira”. O nosso poeta sempre teve grande amor a Barretos, sentia-se repartido entre Barretos e Bauru. E, mesmo distante, sempre mantinha contato com amigos e colegas desta cidade.
O nosso poeta foi membro de diversas academias de artes do Brasil e, também membro do Grêmio Cultural de Filgueira, em Portugal; foi Delegado Regional de Cultura, em Bauru, cargo em que se aposentou. É patrono da Cadeira nº. 23, da A.B.C. – Academia Barretense de Cultura, tendo como titular o acadêmico José Ildon Gonçalves da Cruz.
Em 2017, José Ildon, homenageou seu patrono, depois de uma longa e detalhada pesquisa, expôs as várias facetas do poeta, ao percorrer lugares, entrevistar familiares e amigos, escreveu o livro ‘Nidoval Reis – Biografia de um poeta’, onde traz à luz várias passagens de sua vida.
Em 15 de fevereiro de 1985, faleceu em Bauru, aos 62 anos. Seu corpo foi cremado e, as cinzas espalhadas, parte em um jardim em Bauru e, outra na Praça Primavera, em Barretos, hoje, denominada Praça Poeta Nidoval Reis.

 

 

 

José Antonio Merenda
Escritor, historiador e
membro da ABC – Academia
Barretense de Cultura –
Cadeira nº 29

Compartilhe: