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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Artigos

Natalidade cai no Brasil em 2022

Segundo o Portal da Transparência de Registro Civil, diminuíram os nascimentos e aumentaram os óbitos durante a pandemia, a variação vegetativa teve 1 milhão de pessoas a menos, em 2021 e 2022. Esta e outras constatações que mostram a queda da natalidade em nosso País, é analisada pelo doutor em geografia e pesquisador de meio ambiente José Eustáquio Diniz Alves, em artigo publicado pelo EcoDebate. O que já vem acontecendo na Europa e nos demais países desenvolvidos, começa aqui a manifestar os resultados da queda demográfica. Num país de dimensões continentais como o Brasil, até há pouco tempo com uma população jovem pujante, os efeitos dessa realidade serão sentidos quanto mais a população envelhecer e mais graves ainda se não houver reposição populacional.
Para José Eustáquio Diniz Alves, “o fato é que o número de nascimentos no Brasil, em 2022, foi menor do que o número de nascimentos de 1952. O número de bebês retrocedeu ao nível de 70 anos atrás. E, evidentemente, não se trata de algo excepcional, mas o início de uma nova tendência. Ou seja, por volta de 2030 até 2100, o número de nascimentos anuais no Brasil será sempre menor do que o montante ocorrido em meados do século passado e o montante de óbitos será cada vez maior, a despeito do aumento da expectativa de vida ao nascer. O 1º bônus demográfico chegará ao fim entre 2035 e 2040”. Um dos efeitos dessa realidade será na Previdência Social. Recentemente houve uma reforma da Previdência em nosso País, mas confirmando a tendência do crahs demográfico, e o envelhecimento da população, novas reformas e mudanças no sistema estarão sendo debatidas. Mas em muitos aspectos com soluções paliativas, porque para a própria economia de uma nação, é muito melhor quando há uma população jovem maior. Hoje vemos, por exemplo, a situação dramática do Japão, com uma expressiva população envelhecida, e o governo japonês procurando meios para garantir novos nascimentos, por questões econômicas e sociais.
O problema mais grave do crahs demográfico é a falta de reposição populacional, quando começa, ano a ano, haver mais óbitos do que nascimentos, e esta inversão demográfica traz vários problemas, em muitos aspectos, para toda a sociedade. É preciso que haja maior conscientização da importância do equilíbrio nesta área. Uma educação voltada para a paternidade responsável, e não pela recusa em ter filhos. A questão demográfica é também uma questão de decisões políticas. Como afirma Gerard-François Dumont, “o desenvolvimento humano que cada um, de coração, auspicia para o século XXI depende em parte das respostas políticas que serão dadas às apostas demográficas”. É preciso que haja uma política de equilíbrio, para evitar o inverno demográfico e as consequências danosas para a sociedade. Um debate aberto, com especialistas de diversas áreas, seria um primeiro passo para a reflexão dessa realidade, para buscar medidas que visem evitar desequilíbrios e ajudem na busca de soluções, que preservem o bem das pessoas, em favor da vida.

 

 

 

Valmor Bolan é Doutor em Sociologia.
Professor da Unisa. Ex-reitor e Dirigente
(hoje membro honorário) do Conselho
de Reitores das Universidades Brasileiras.

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