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sábado, 20 de abril de 2024

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Não sejamos ludibriados pelas tentações

Ao iniciar o tempo da Quaresma, a Igreja nos convida, neste primeiro domingo quaresmal a considerar a realidade das tentações. Ao referir-se às tentações, Marcos é mais sucinto do que os outros evangelistas Mateus e Lucas. Ele se limita a dizer: “o Espírito levou Jesus para o deserto. E ele ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado por Satanás”. Também Jesus submeteu-se às tentações, não foi poupado delas não somente para servir de exemplo para nós, mas para demonstrar que o Filho de Deus travou uma grande luta para poder ser fiel ao que o Pai exigia dele.

Em primeiro lugar chama a nossa atenção o fato de Jesus ter sido conduzido pelo Espírito ao deserto. O deserto é o lugar da provação. Durante quarenta anos o povo de Israel peregrinou pelo deserto conduzido por Moisés e Aarão até alcançar a terra prometida. Jesus ficou no deserto quarenta dias. O deserto é o lugar onde podemos reencontrar a liberdade, recuperar nossa condição de filhos, vencer toda escravidão que espezinha nossa dignidade.

Nós podemos afirmar que o tempo quaresmal é para nós cristãos o tempo de entrar no deserto para ouvir o Senhor. Ele volta a dizer para nós: “Tu és o meu Filho amado” (Mc 1,11) e “não haverá para ti outros deuses na minha presença” (Ex 20,3) para nos libertar dos ídolos que escravizam.

As tentações para nós, hoje, como diz o Papa Francisco na sua Mensagem para o tempo da Quaresma, se traduz em “Poder tudo. Ser louvado por todos, levar a melhor sobre todos: todo o ser humano sente dentro de si a sedução desta mentira. É uma velha estrada. Assim podemos apegar-nos ao dinheiro, a certos projetos, ideias, objetivos, à nossa posição, a uma tradição, até mesmo a algumas pessoas. Em vez de nos pôr em movimento, paralisar-nos-ão. Em vez de nos fazer encontrar, contrapor-nos-ão”.

Estes breves versículos do Evangelho nos fazem pensar em Adão; pois Jesus “vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam”. Fiel ao plano do Pai, Jesus recupera o paraíso perdido, nos abre a possibilidade de viver em harmonia com a criação e em comunhão com Deus.

Vamos percorrer o tempo da Quaresma peregrinando no deserto deste mundo, atento às tentações para não sermos ludibriados por elas. A Campanha da Fraternidade deste ano nos fala da “amizade social”. Tendo como inspiração a Carta Encíclica “Fratelli Tutti” do Papa Francisco, a Igreja do Brasil nos convida a vivermos os exercícios quaresmais sensíveis ao apelo do Evangelho: “Vós sois todos irmãos e irmãs”. A pior tentação é aquela que nos divide, nos isola, nos torna indiferentes diante da beleza da fraternidade, ao sonho de Deus de que vivamos como membros de uma mesma família, irmãos e irmãs uns dos outros.

Por: Dom Milton Kenan Jr

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