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segunda-feira, 04 de março de 2024

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Não reduzamos a celebração do Natal a uma festa pagã

A celebração do Nascimento de Jesus no estábulo em Belém – revocada pela imagem do presépio – quer nos fazer vislumbrar a bondade de Deus para conosco. São Francisco, quando encenou o nascimento de Jesus em Greccio em 1224 (há 800 anos!), queria justamente fazer com que os corações das pessoas fossem tocados pela ternura e bondade de Deus, que na fragilidade de um Menino revelou a sua Face aos homens.

Em todos os anos revivemos este mistério na solene liturgia, nos presépios em nossos lares e em nossas igrejas, justamente para recordar-nos que somente a ternura e a bondade são capazes de salvar a nossa existência tão cansada de excessos e aparências. Nada é capaz de preencher nossos corações senão a bondade que dispensamos aos nossos semelhantes, e a bondade que acolhemos de Deus.

A veste por excelência da bondade é a pobreza. Ostentação jamais condiz com a bondade. Por isso é de se desconfiar da propaganda comercial do Natal que se utiliza da imagem do Papai Noel, este velhinho bonachão que se serve da ilusão para incitar as pessoas ao desperdício e ao desejo desenfreado de bens materiais.

A sobriedade, a simplicidade e a humildade são as lições mais eloquentes que a cena do Nascimento do Senhor em Belém nos transmite. Não dá para esquecer que naquela noite bendita, em que o Filho de Deus nasceu entre nós, seus pais não encontraram um lugar na hospedaria, mas tiveram que se instalar entre os animais de um estábulo, como tantos homens e mulheres de todos os tempos que chegam a este mundo sem o aconchego de um lar e as boas vindas por sua chegada.

O Natal nos faz olhar para o nosso mundo atribulado, onde milhões de pessoas são obrigadas a abandonar sua terra para sobreviver à fome e ao abandono; aonde milhões de pessoas são obrigadas a viver na solidão sem ninguém que vele por elas.

Ao celebrar o Natal a cada ano somos convidados a abrir-nos à ternura e ao amor. Nossa celebração natalina não pode se limitar a votos de boas festas, a cartões coloridos e presentes que escondem seu vazio pelas embalagens atraentes que os envolvem. Não! Natal é convite a demonstrar nosso amor com obras, pois Deus, ao fazer-se um de nós, manifestou seu amor, mais do que por palavras, em gestos de bondade.

Mais do que sentimentos, o Natal exige de nós escolhas e obras cheias de ternura e bondade. Não somente numa data do ano, mas todos os dias, pois somente assim teremos compreendido a lição que Deus quis transmitir-nos com o nascimento do seu Filho.

Não permitamos que roubem a beleza do Natal reduzindo-o a uma festa pagã, onde o que prevalece é um jogo de palavras, chavões que se repetem sempre e que se limitam ao desejo egoísta de bem-estar e prazer. A beleza do Natal está na ternura e no amor. Pois, como diz o sábio: “a ternura salvará o mundo”!

 

Por: Dom Milton Kenan Jr

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