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terça-feira, 16 de abril de 2024

Artigos

Não parece que nós cristãos voltamos às catacumbas?

Quando estive em Roma, e já faz muito tempo, tive a oportunidade de visitar uma das mais famosas Catacumbas lá existentes, e é lógico que isso se transforma em uma experiência que nunca mais sai da memória. Um cemitério subterrâneo, onde tantas celebrações eucarísticas e encontros cristãos se realizaram, na clandestinidade, por quase três séculos.
Podemos igualmente considerar que ao longo destes milênios pós-Cristo sempre, em nações variáveis, milhares de cristãos tiveram também que continuar se escondendo para poderem viver a sua Fé, e os corpos de milhões de mártires foram se multiplicando, vítimas de tiranos sanguinários em todos os continentes.
E mesmo agora, nestes primeiros anos do terceiro milênio, nada mudou, e em vários países querer praticar o cristianismo é crime, e quem for pego é processado ou torturado, ou exilado, ou executado. É uma realidade que só não conhece quem não é bem informado. Aqui no Brasil tem-se a impressão que a liberdade de professar a própria fé é um direito constitucional amplamente respeitado, com igrejas, templos, casas de culto abertos e até bem frequentados, a não ser por pessoas de mentes doentias que, vez ou outra, os invadem e profanam com atos da mais genuína intolerância religiosa. E é assim: enquanto os fiéis estiverem entoando apenas hinos de louvor e adoração, devocionais, motivacionais, exposições do Ssmo., grupos de oração e afins, tudo bem, ninguém implica.
No entanto, de outro lado há uma questão preocupante. Se Pregadores sérios e alicerçados por um conhecimento acumulado ao longo de anos – embasados por séculos de estudos oriundos de Concílios, Encíclicas, Documentos oficiais do Magistério milenar da Igreja – seja de público em redes sociais, e até mesmo no interior de suas Igrejas, passarem a ensinar nossos dogmas a respeito de hábitos e costumes contrários aos mandamentos, com temas por exemplo sobre sexualidade, aborto, direitos humanos, pena de morte etc., mesmo fazendo questão de esclarecer que não se trata de discriminação ou falta de respeito, mas apenas a não concordância com o pecado, ah… aí já se corre o risco de possíveis denúncias, desqualificação dos pregadores e da Igreja, processos e até condenações. É quando nos sentimos na prática de uma fé clandestina, sem podermos expressar livremente os valores morais e ensinamentos evangélicos, sob pena de sermos perseguidos sob poder de polícia. Sim, parece que estamos sendo vencidos. Só parece.

 

 

(Por: Diácono Lombardi)

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