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quinta-feira, 30 de maio de 2024

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Não faltam operários para messe!

No contexto da ação evangelizadora da Igreja e do anúncio do Reino de Deus, sabe-se: a quantidade de operários disponíveis nunca suprirá todas as necessidades: “A messe é grande e os operários são poucos”. Porém, ao mesmo em tempo em que ratifica esta verdade, Jesus aponta o caminho: “Pedi, pois, ao dono da messe que envie operários para a Sua colheita” (Mateus 9,37-38). A oração confiante é o caminho que move o coração de Deus, a fim de que providencie agentes para a messe que é Sua e não nossa.
Não obstante a orientação clara e objetiva do Evangelho, comumente deparamo-nos com ‘lideranças eclesiais’, de membros da hierarquia a fiéis leigos e leigas queixando-se da carência de batizados comprometidos com a missão. Deus desistiu de sustentar Sua obra de salvação? Jesus se equivocou ao recomendar a oração de súplica? O Espírito Santo, alma da Igreja, está em férias prolongada? Nós, Igreja, desaprendemos a rezar? Sobram perguntas.
Tudo isso deve inquietar-nos. No entanto, antes de tudo, respondamos: estamos dispostos a buscar respostas efetivas para as questões referentes a evangelização? Estamos abertos a necessárias mudanças de esquemas mentais, estruturas e atitudes? Sabemos que ocuparmo-nos de questões dessa natureza fará com que o foco saia de nós e de nossas convicções pastorais primitivas, voltando-se, de fato, à missão? É por ai que se deve começar. Esta atitude madura e equilibrada estancará a sangria de lamentações, criticas e condenações a quem não se apresenta como operário para a messe exigindo, de nós, postura condizente com o Evangelho: “Ide antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mateus 10, 5-6).
A lógica do Reino de Deus e, consequentemente, do processo de evangelização e ação pastoral não combina com a lógica capitalista na qual impera, unicamente, o ‘receber’. A lógica do Reino de Deus, materializada em Jesus Cristo, exige um movimento diferenciado: “De graça recebestes, de graça deveis dar”. O que oferecemos? O que distribuímos? O que fazemos, gratuitamente pelos outros, enquanto operários da messe do Senhor?
A mesma passagem bíblica na qual Jesus constata a necessidade de operários e orienta à oração, oferece pistas de ação para que, de fato, mais operários se apresentem para a messe. O caminho é um só: amar concretamente as pessoas. Jesus orienta os 12 discípulos (porque aprendizes), e apóstolos (porque enviados): “(…) Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios (…)” (Mateus 10,8).
O segredo, que não é segredo, está em amar e cuidar concretamente e carinhosamente das pessoas. Através do serviço amoroso e gratuito efetiva-se o encontro pessoal com Jesus Cristo que toca os corações, gerando conversão, promovendo a vida em comunidade, engajando os discípulos, tornando-os agradecidos e fervorosos missionários, operários da messe do Senhor. São tantos os operários para a messe do Senhor! Vamos decididamente ao seu encontro, amparados pela graça de Deus que não cessa e confortados pela resposta generosa de tantos corações que, como de graça receberão, de graça saberão dar.

Ivanaldo Mendonça é Padre, Pós-graduado em Psicologia

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