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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

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Não basta dizer “sou cristão”, “sou católico”

O quarto evangelho, de João, tem algumas diferenças marcantes com os outros três, de Mateus, Marcos e Lucas, e uma delas são longos discursos de Jesus contra seus adversários, aqueles judeus ortodoxos e muitos deles colaboradores dos romanos. No trecho que a liturgia de hoje nos apresenta, extraído do capítulo 8, estes judeus enfrentam Jesus, a quem não reconhecem, pois se dizem e se vangloriam de serem “filhos de Abraão”. No final desse mesmo capítulo 8, quando Jesus disse que Abraão exultou ao conhecê-lo, sem entenderem nada retrucaram: “Ainda não tens 50 anos e vistes Abraão?”, ao que Jesus respondeu taxativamente: “Antes que Abraão fosse, eu sou!”, afirmando ser Deus ao utilizar a expressão “Eu sou”. Nessa mesma hora, os judeus pegaram em pedras para matá-lo, mas Jesus saiu dali porque não era ainda chegada a sua hora.
Nas estatísticas governamentais, poucos bilhões de pessoas se declaram “cristãos” e, dentre estes, “católicos”. O que é um tanto falso da parte desses últimos, uma vez que constatamos o pequeno número dos frequentadores dominicais da Eucaristia, que é o ápice da nossa vida cristã. Da mesma forma que aqueles se diziam “filhos de Abraão” e não praticavam as obras de Abraão, muitos católicos assim se declaram sem, no entanto, praticar os ensinamentos do fundador da Igreja e os próprios mandamentos divinos.
Fé e obras. Duas ações inseparáveis. Não basta só a Fé. E não bastam apenas obras que não a demonstrem. Um católico não subsiste por si mesmo, independente, fora do contexto eclesial. Ele não consegue se dirigir ao Pai por si mesmo, por suas próprias forças, e isso lhe é impossível: “Ninguém vem ao Pai senão por mim”. Só Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14,6).
O mandamento de Jesus, na Quinta-feira Santa, é: “Tomai, todos, e comei” – “Tomai, todos, e bebei” – instituindo a Eucaristia, sua própria carne e sangue, divinos, para a salvação de cada pessoa que a quiser. Entrar nessa comunhão com Jesus é transfigurar-se nele, que é a seiva que lhe proporcionará produzir frutos: as obras que demonstram sua Fé.

 

(Por: Diácono Lombardi)

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