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sábado, 13 de abril de 2024

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Não basta admirar Jesus.

Em todos os anos, a liturgia do Domingo de Ramos cria em nós uma atitude de espanto, de surpresa: passamos da alegria de acolher Jesus, que entra em Jerusalém, à tristeza de o ver condenado à morte e crucificado. É uma atitude interior que nos acompanhará ao longo da Semana Santa. Abramo-nos, pois, a esta surpresa.

Jesus começa logo por nos surpreender. O seu povo o acolhe solenemente, mas Ele entra em Jerusalém em um jumentinho. Pela Páscoa, o seu povo espera o poderoso libertador, mas Jesus vem cumprir a Páscoa com o seu sacrifício. O seu povo espera celebrar a vitória sobre os romanos com a espada, mas Jesus vem celebrar a vitória de Deus com a Cruz. Que aconteceu àquele povo que, em poucos dias, passou dos “hosanas” a Jesus ao grito de “crucifica-o”? Que sucedeu? Aquelas pessoas seguiam uma imagem de Messias, e não o Messias. Admiravam Jesus, mas não estavam prontas para se deixar surpreender por ele. A surpresa é diferente da admiração. A admiração pode ser mundana, porque busca os próprios gostos e anseios. A surpresa, ao contrário, permanece aberta ao outro, à sua novidade. Também hoje há muitos que admiram Jesus: falou bem, amou e perdoou, o seu exemplo mudou a história, e coisas do gênero. Admiram-no, mas a vida deles não muda. Porque não basta admirar Jesus; é preciso segui-lo no seu caminho, deixar-se interpelar por ele, passar da admiração para a surpresa.

E qual é o aspecto do Senhor e da sua Páscoa que mais nos surpreende? O fato de Ele chegar à glória pelo caminho da humilhação. Triunfa acolhendo a dor e a morte, que nós, inclinados à admiração e ao sucesso, evitaríamos. Ao contrário, Jesus “esvaziou-se” – disse São Paulo – “humilhou-se” (Fl 2,7.8). Isto surpreende: ver o Onipotente reduzido a nada; vê-lo, a Ele Palavra que sabe tudo, ensinar-nos em silêncio na cátedra da Cruz; ver o Rei dos reis que, por trono, tem um patíbulo; ver o Deus do Universo despojado de tudo; vê-lo coroado de espinhos em vez de glória; vê-lo, a ele bondade em pessoa, ser insultado e vexado. Por que toda esta humilhação? Por que permitistes, Senhor, que vos fizessem tudo aquilo?

Fez isso por nós, para tocar até ao fundo a nossa realidade humana, para atravessar toda a nossa existência, todo o nosso mal; para se aproximar de nós e não nos deixar sozinhos no sofrimento e na morte; para nos recuperar, para nos salvar. Jesus sobe à Cruz para descer ao nosso sofrimento. Prova os nossos piores estados de ânimo: o falimento, a rejeição geral, a traição do amigo e até o abandono de Deus. Experimenta na sua carne as nossas contradições, para delas nos redimir.

Por: Papa Francisco

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