terça-feira, 27 de outubro de 2020

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Na força do Espírito Santo!

O Tempo Pascal, celebrado ao longo dos 50 dias a partir da Páscoa, culmina com a celebração de Pentecostes, a solenidade do Divino Espírito Santo. O sentido e significado desta celebração está profundamente ligado às raízes da fé cristã. O Espírito Santo, terceira pessoa da Santíssima Trindade, presente desde todos os tempos, procede do amor do Pai e do Filho como dom e expressão da íntima comunhão entre Eles.
Agindo desde a criação, por obra do Espírito Santo, Maria acolhe em seu ventre o Filho de Deus feito homem. Ele sustenta a Jesus no combate contra as forças do mal, no deserto; no Batismo de Jesus manifesta-se em forma de pomba; na força do Espírito Santo Jesus cumpre a missão de anunciar a boa nova do Evangelho; é anunciado como O defensor dos discípulos; como línguas de fogo paira sobre os apóstolos, move-lhes o interior, e impulsiona o nascimento da Igreja.
Lucas organiza sua obra literária, que compreende o Evangelho e os Atos dos Apóstolos, em três tempos: o tempo da promessa o Antigo Testamento, no qual destaca a ação de Deus-Pai; o tempo do cumprimento, os Evangelhos, no qual destaca a ação de Deus-Filho; e o tempo da Igreja, no qual destaca a ação de Deus-Espírito Santo. Os Atos dos Apóstolos dedica-se, de maneira especial, a narrar a ação do Espírito Santo sobre os apóstolos cuja missão é prolongar a ação salvadora de Jesus, ao longo dos tempos, pelo anúncio e testemunho do Evangelho.
A ação do Espírito Santo perpassa toda a história da salvação e, em nossos tempos, manifesta-se como dom sublime a manter, guiar, sustentar e conduzir os passos de cada discípulo de Jesus e de todos os discípulos de Jesus, a Igreja viva.
Através dos sinais eficazes da graça, os sacramentos, o Espírito Santo age em e através de cada discípulo do Senhor. Pelo Batismo faz-nos filhos adotivos do Pai, irmãos de Jesus, livres da mancha do pecado original, membros da Igreja, Seus templos vivos; pela Eucaristia abastecer-nos do próprio Cristo; pela Crisma fortalece-nos para a missão; pela Reconciliação purifica-nos do pecado diário; pelo Matrimônio gera a família na fé; pela Ordem gera pastores para a Igreja; pela Unção dos Enfermos conforta os sofredores.
Por conta própria não conseguimos falar ao coração de Deus, perdemo-nos. O diálogo com o Senhor deve sempre ser precedido pela oração ao Espírito Santo, o consolador. Erroneamente dizemos ‘invocar o Espírito’ como se pudéssemos controlá-Lo. Correta é a expressão ‘clamar o Espírito Santo’ sugerindo implorar que venha em nosso auxílio, preencha-nos com Seu fogo abrasador, possibilitando que falemos, verdadeiramente, ao coração do Pai e saibamos ouvir, acolher, processar e viver Sua vontade. Sozinhos não! Na força do Espírito Santo, sempre!

Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia
[email protected]

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