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quinta-feira, 25 de julho de 2024

Artigos

Na esperança do Sábado, celebramos o Domingo.

Desde os Apóstolos, os cristãos começaram a celebrar e guardar o primeiro dia da semana – Domingo – como o Dia do Senhor. Provavelmente você já sabe, mas não custa lembrar: oriundo do Latim, ainda idioma oficial da Igreja, o Português tem inúmeras palavras dele provenientes, e uma delas é o “domingo”, originalmente “dominicus”, um adjetivo para qualificar o que pertence ao “Dominus” – o Senhor. Domínio, dominador, dominação, senhorio… E como foi no primeiro dia da semana que Jesus ressuscitou, esta sua vitória sobre a morte ganhou tanto significado que vã é a fé de quem não acredita na ressurreição de Cristo e na nossa própria ressurreição (1Cor 15,14). Na liturgia, passou a ser a “dominica dies” (fem.), o dia do Senhor. Um dia santo, dia de missa, dia dos fiéis buscarem o alimento sagrado da Palavra de Deus e da Eucaristia todos os domingos. O imperador Constantino (séc. IV) oficializou o domingo como um dia sagrado, que substituísse o sábado. Na verdade, em todas as missas, independentemente do dia da semana e de suas intenções, nós sempre celebramos a Páscoa do Senhor.
Este acontecimento pascal é tão significativo que, em geral, sempre nos diferenciou de tantas outras crenças, a começar a do povo israelita, profundo divulgador do Sétimo Dia, o sábado – shabat – como o dia sagrado de Deus, com base na descrição da criação do mundo por ele em seis dias, descansando de toda sua obra no sétimo, e assim o recomendando a todo o povo, nos livros da Lei (Torá).
Já para nós, o Sábado deve ter um outro significado. Aprendemos no primeiro capítulo do Gênesis que Deus trabalhou seis dias seguidos, e no sétimo mereceu um descanso. Assim, nessa nossa exegese, é bastante válida a mensagem de que nossa passagem pela existência terrena se equivale aos “seis dias de Deus”, muita rápida. Mas é todo o tempo que temos para criar boas obras, enquanto aguardamos com esperança e fé o nosso sábado eterno, para descansarmos para sempre “na casa do meu Pai, onde tem muitas moradas” (Jo 14, 1ss).

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