quarta-feira, 25 de novembro de 2020

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Museu Palácio Rio Negro

Petrópolis, RJ

Caro leitor,
Em continuidade à minha viagem no carnaval de 2018, ao lado de minha esposa Cacilda e de meu filho João Vitor, a Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, uma cidade com muitos pontos turísticos, como a avenida Koeler, repleta de casarões do século XIX, propriedades de condes, viscondes, barões e, outros detentores de títulos honoríficos, grandes produtores de café à época.
Entre eles está o Museu Palácio Rio Negro, edificação de valor histórico e cultural, que ao longo do tempo, foi cenário de diversas transformações que marcaram o nosso País. É dedicado à memória da República numa Petrópolis imperial, constituindo-se em uma fonte de pesquisas. A sua administração está a cargo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN e, é tombado pelo Decreto-Lei 25/37, em 1982.
O Palácio Rio Negro é uma construção eclética, projetada pelo italiano Antonio Januzzi, em 1889, cujo proprietário era Manoel Gomes de Carvalho, o Barão do Rio Negro, rico produtor de café, para servir-lhe de residência de verão. No entanto, em 1894, o Barão e sua família se mudaram para París. Em meio a isso várias turbulências, devido à instabilidade da recém-instaurada República, o que obrigou a mudança da capital fluminense, de Niterói para Petrópolis. O governo estadual adquiriu o imóvel para sua sede, que permaneceu até 1903, quando a capital retorna a Niterói.
Naquele mesmo ano o Palácio Rio Negro foi incorporado ao Governo Federal, e passou a ser residência de verão dos presidentes da República, a exemplo do que acontecia na época do Império, em que D. Pedro II hospedava no Palácio Imperial, distante uns quinhentos metros dali, hoje, Museu Imperial, pois no final do século XIX e início do século XX, era costume no verão, os nobres e a elite do Rio de Janeiro, fugirem da insalubridade e deixarem a cidade entregue aos ratos, aos insetos e aos pobres. O presidente Rodrigues Alves foi quem inaugurou os despachos no Palácio Rio Negro, tornando-o centro de decisões, seguido por seus sucessores: Afonso Pena, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Wenceslau Braz, Epitácio Pessoa, Arthur Bernardes, Washington Luiz, Getúlio Vargas, Eurico Gaspar Dutra, Café Filho, Juscelino Kubitscheck, João Goulart e Costa e Silva, concomitantemente, atraindo um fluxo grande de autoridades. Com a inauguração de Brasília, no planalto central, em 1960, vários presidentes, devido à distância, deixaram de utilizá-lo. Somente em 1996, houve o retorno da tradição do veraneio presidencial, com a hospedagem do presidente Fernando Henrique Cardoso e, em 2008, do presidente Lula.
Foi, no entanto, no Governo de Hermes da Fonseca, sobrinho de Deodoro da Fonseca, que governou o Brasil entre os anos de 1910 e 1914, que o Palácio viveu, talvez, o seu momento mais brilhante, com a pomposa cerimônia de casamento, em 1913, do Marechal Hermes, 58 anos, com Nair de Teffé, 27 anos, natural de Petrópolis, pintora, cantora, atriz, pianista e a primeira caricaturista mulher do mundo, portanto, admirada não só por sua beleza como por sua inteligência, e que se tornava, ali, a primeira-dama do País. Uma das curiosidades é que o presidente mais assíduo foi Getúlio Vargas, que entre seus 19 anos de governo, não falhou um ano sequer.
O Museu Palácio Rio Negro passou por várias modificações, de acordo com o gosto de cada presidente, sendo que de original há o assoalho de madeira, que após o trabalho de restauro revelou a decoração original: os pés de café, símbolo da riqueza de seu proprietário, e ainda alguns lustres. No piso superior encontra-se o dormitório usado pelos presidentes, com um amplo banheiro decorado com louça inglesa. Há outros cômodos, como o ‘quarto das meninas’, em que dormiam as filhas de Juscelino Kubitschek, Marcia e Maria Estela, este com os móveis usados por elas.
Ao visitarmos suas salas e aposentos tomamos contato com a nossa história e as mudanças sociais e políticas de nosso querido Brasil.

José Antonio Merenda
Professor, historiador e presidente da ABC – Academia Barretense de Cultura

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