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segunda-feira, 04 de março de 2024

Artigos

Mortalidade infantil: crescimento assustador em Barretos

O SEADE, órgão de acompanhamento estatístico das diversas funções da gestão pública, revelou há poucos dias, que a mortalidade infantil em Barretos quase triplicou no período do últimos 2 anos.
Temos denunciado, na devida medida e constância, a triste realidade da saúde pública em Barretos, lamentavelmente vista somente como uma “mera paisagem” pelas autoridades.
Já disse e repito. Quem cuida de câncer lida com doenças que causam 12 por cento da mortalidade geral no Brasil. Isso significa que 88 % das demais mortes acontecem por doenças e condições não cancerosas.
Dizer o que com isso? É lógico e óbvio que quem gerencia serviços de saúde, por expert que pudesse ser na área de câncer, não significa que seja o mesmo nas demais áreas. A complexidade de um hospital geral policlínico é muito maior do que uma área isolada da medicina.
A gravidade que ocorre em Barretos é que um cidadão sem nenhuma formação técnica de nível superior acaba não só gerenciando, mas MANDANDO EXECUTAR atividades do tal nível de complexidade muitas vezes (para não dizer quase sempre) sem ouvir observações técnicas indispensáveis. Pior: numa área que envolve vidas humanas.
Admitindo que faça bem a gerenciamento do câncer, pelo menos como exímio captador de recursos, o comando da medicina policlínica (leia-se Santa Casa) e da saúde publica (entenda-se, rede de postos de saúde e serviços de emergência) é claramente mal exercido e promove o que tem acontecido.
Ou seja: alta mortalidade infantil, alto índice de maus resultados cirúrgicos, incapacidade de atender a demanda normal das operações, o fracasso constatado nos momentos aflitivos como aconteceu na pandemia de COVID, péssimo uso da porta do serviço de emergência para o SUS constantemente fechada, redução do acolhimento de pacientes e envio para outras cidades menores do polo, atendimento cárdio vascular e neurológico claudicante ao longo dos tempos.
O regramento péssimo de trânsito pelo hospital fechando porta de entrada para médicos, parentes de pacientes, médicos parentes numa clara postura de parecer esconder a triste realidade vigente num hospital que deveria ser de proa como já foi durante quase 100 anos.
O mundo atual padece de mentiras e falsas propagandas. Quando isso é praticado na saúde torna-se crime de alta patente e, infelizmente, aqui se depara constantemente com falsos discursos e estatísticas mentirosas.
Vem agora o SEADE, órgão de credibilidade inconteste, revelar mais um grave prejuízo na saúde de Barretos, com a triplicação do índice de mortalidade infantil. Isso está coerente com medidas absurdas de fechamento do pronto socorro infantil (no corpo da Santa Casa) e, certamente, desempenho ruim nas especialidades de pediatria e sala de parto/berçário.
Não há como autoridades fazerem vistas grossas e subserviência com falhas, erros e incompetências fazendo perda de sagradas vidas.

Dr Fauze José Daher,
Gastro Cirurgião ex Diretor Clínico da Santa Casa de Barretos, Ex Presidente da Associação Paulista de Medicina e Advogado

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