Ir para o conteúdo

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Artigos

Mês de Ramadan

Bilhões de Muçulmanos em todo o mundo estão cumprindo um dos pilares da religião islâmica, qual seja jejuar no nono mês do calendário lunar, chamado de Ramadã. O jejum desenvolve na pessoa o verdadeiro espírito de pertencer a uma sociedade, de unidade e fraternidade, e de igualdade perante Deus. Este espírito é o produto natural do fato de que quando as pessoas jejuam, sentem que estão se juntando a todo restante da sociedade muçulmana, observando o mesmo dever, da mesma maneira, ao mesmo tempo, pelos mesmos motivos e com o mesmo fim, buscar o temor a Deus.
É importante notar que o jejum em árabe é chamado de “Sawm”, que literalmente significa “estar em repouso”. Jejuam todos os muçulmanos fisicamente aptos, durante 29 ou 30 dias, desde o amanhecer até o anoitecer, não comendo ou bebendo nada.
O jejum é uma instituição para a melhoria do caráter moral e espiritual do ser humano. O propósito do jejum é ajudar a desenvolver o autocontrole, a autopurificação, a consciência de Deus, a compaixão, o espírito de cuidar e compartilhar, o amor da humanidade e o amor de Deus. O jejum é um costume universal e é defendido por todas as religiões do mundo, com mais restrições em alguns do que em outros. O Jejum Islâmico, em oposição à mera fome ou abnegação, é um ato de adoração e obediência a Deus, gratidão, perdão, treinamento espiritual e autoexame.
O Ramadã nos dá uma pausa e nos proporciona uma rara oportunidade de pensar em nós mesmos, em nosso futuro e em nossas famílias. É hora de nos dar uma pausa mental e esquecer temporariamente as centenas de preocupações e tensões com as quais somos constantemente bombardeados. Em tempos agitados, como o nosso, esse momento é precioso para pensar em nossas vidas, individualmente, é um luxo que muitos não tem. É um mês único de autoanálise e de avaliar os ativos e passivos morais e espirituais de alguém.
O jejum inculca em nós a paciência, o altruísmo e a gratidão. Quando jejuamos, sentimos as dores da privação e da fome e aprendemos a suportá-lo pacientemente. O significado dessa experiência poderosa em um contexto social e humanitário é que somos muito mais rápidos do que qualquer um em simpatizar com os oprimidos e necessitados em todo o mundo e em responder às suas necessidades. “É o mês para visitar os pobres, os doentes e os necessitados para compartilhar suas tristezas. É o mês em que a comida, o sustento e os ganhos de um muçulmano crente aumentam e eles são abençoados”, diz o Profeta Muhammad SWS, um homem que era conhecido por suas nobres causas humanitárias, pela justiça social e por ser o primeiro a responder às necessidades do outro, apesar de ele mesmo ter vivido uma vida muito simples e humilde.
O jejum no Ramadã nos permite dominar a arte da adaptabilidade madura e do Gerenciamento de Tempo. Podemos entender facilmente esse ponto quando percebemos que o jejum faz com que as pessoas mudem todo o curso de sua vida diária. Quando eles fazem a mudança, eles naturalmente se adaptam a um novo sistema e cronograma, e seguem em frente para satisfazer as regras. Isso, a longo prazo, desenvolve neles um senso de adaptabilidade e poder para superar as imprevisíveis dificuldades da vida! Uma pessoa que valoriza a adaptabilidade construtiva, a administração do tempo e a coragem apreciará os efeitos do jejum a esse respeito também.
Cultiva em nós o princípio do amor sincero, porque quando observamos o jejum, fazemos isso por amor profundo por Deus. O jejum eleva o espírito humano e aumenta nossa consciência de Deus. Ela fortalece nossa força de vontade à medida que aprendemos a nos elevar acima de nossos desejos inferiores.
Com a clareza da mente e ausência de distrações, também vem um foco maior. Como estudantes, o período de jejum, especialmente no início do dia, serve como uma ferramenta para focar nossas mentes em nossos acadêmicos. No mês do Ramadã, muitos muçulmanos tentam evitar assistir TV, ouvir música e outras atividades de lazer, o que lhes poupa mais tempo e energia para serem gastos em atividades mais produtivas, como acadêmicos, intenso estudo do Islã, orações voluntárias, causas sociais e humanitárias, e um tempo de qualidade com a família, para citar alguns.
O jejum tem inúmeros benefícios cientificamente comprovados para nossa saúde física e bem-estar mental. O tempo, duração e natureza do Jejum Islâmico contribuem para o seu efeito positivo global. Um dos benefícios médicos é um descanso muito necessário para o sistema digestivo. A redução da ingestão de alimentos durante o dia permite que o corpo se concentre em se livrar de toxinas alimentares prejudiciais acumuladas como subprodutos naturais da digestão de alimentos ao longo do ano. O Profeta Muhamad SWS disse: jejuem e se curem.
É um mês de intenso treinamento moral. Já que sabemos que o jejum é um dever especial prescrito por Deus, aprendemos que qualquer pecado pode estragar nosso registro de jejum com Deus, por isso fazemos grandes esforços para nos certificarmos de que estamos em nosso melhor comportamento, afastando de brigas, corrupção, agressão, fofocas, pois o olho, os ouvidos, a língua e todo corpo deve jejuar, caso contrário não há qualquer benefício.
Nos faz perceber a realidade da vida e da morte. O jejum nos faz perceber o quão dependente de nossas vidas são as coisas que muitas vezes tomamos como garantidas, como comida e água. Nos faz pensar sobre nossa dependência de Deus e da misericórdia e justiça de Deus. Além disso, nos lembra da vida após a morte, que em si tem um grande impacto em nosso caráter e em nossa visão de mundo.
Em poucas palavras, embora o propósito real da dinâmica instituição do jejum seja disciplinar nossa alma e comportamento moral, e desenvolver simpatia pelos menos afortunados, é uma ferramenta multifuncional e abrangente de mudança em várias esferas de nossa vida, incluindo: sociais e econômicas, intelectuais e humanitárias, espirituais e físicas, privadas e públicas, pessoais e comuns, internas e externas – sendo uma escola universal para ser aplicada nos demais meses do ano.

GIRRAD MAHMOUD SAMMOUR, ADVOGADO, PÓS GRADUADO EM PROCESSO CIVIL, PRESIDENTE DA MESQUITA DE BARRETOS E DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JURISTAS ISLAMICOS-ANAJI, PROFESSOR DIVULGADOR DO INSTITUTO LATINO AMERICANO DE ESTUDOS ISLAMICOS-ILAEI

Compartilhe: